Mostrando postagens com marcador Young Adult. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Young Adult. Mostrar todas as postagens

Resenha: As Crônicas de Bane de Cassandra Clare, Maureen Johnson e Sarah Rees Brennan

Título: As Crônicas de Bane 
Autoras: Cassandra Clare, Maureen Johnson e Sarah Rees Brennan 
Editora: Galera Record
Gênero: Sobrenatural, Contos, Fantasia, Young Adult
Ano: 2014
Páginas: 392
Sinopse: Nesta edição ilustrada, são narradas as mais diversas aventuras do feiticeiro imortal Magnus Bane, das aclamada séries de Cassandra Clare. Entre escapadas no Peru e resgates reais na Revolução Francesa, acompanhe fragmentos da vida do enigmático mago ocorridos em diversos países e períodos históricos, com aparições de figuras conhecidas como Clary, Tessa, Will e Alec, personagens de Os Instrumentos Mortais e As Peças Infernais.

Magnus Bane sempre foi um dos meus personagens preferidos da Cassandra Clare, seja em Os Instrumentos Mortais ou As Peças Infernais. Ele tem uma personalidade única, peculiar e sua excentricidade chama a atenção. É difícil não gostar dele. Então, eu adorei saber que ela nos contaria mais sobre ele. As Crônicas de Bane conta várias histórias. Dez foram lançadas em formato digital, que agora sai na versão física com 11 contos. 


Em As Crônicas de Bane vamos conhecendo histórias de vários momentos e épocas diferentes da vida do feiticeiro mais amado no mundo criado por Cassandra Clare: Magnus Bane, o Alto Feiticeiro do Brooklyn. Os contos não foram escritos apenas por Cassandra Clare e quem está acostumado com a escrita da autora, percebe que há contos ou momentos que não é ela que escreve.

Nem todos os contos foram muito bons pra mim, eu já imaginava isso. Os que eu mais gostei foram os relacionados com os livros das séries Os Instrumentos Mortais e As Peças Infernais, é claro, afinal revemos personagens que gostamos ou conhecemos mais um pouco sobre eles. Descobrimos também como começou alguns relacionamentos do Magnus com outros personagens que já conhecemos. 

Como são vários contos independentes, não há muito que falar do enredo. Alguns contém algum spoiler para quem não finalizou as séries. Eu queria comentar mais sobre alguns personagens que aparecem e algumas situações, mas vou me limitar, pois acabaria falando de coisas que vocês podem ainda não saber. 


Quanto à diagramação, ele segue o mesmo estilo dos livros das séries, a letra num bom tamanho para leitura, o papel lux cream de 70 g/m² deixa o livro, apesar de grosso com sua quase 400 páginas, mais leve. A capa com holografia ficou linda. O modelo da capa me lembra do ator que interpretou Magnus no filme Cidade dos Ossos, mas não descobri quem é o modelo que a estampa. A cada capítulo há ilustrações como se fossem uma página de um quadrinho ou mangá, como podem ver na foto acima.


Recomendo para todos que gostam do Magnus, ou para aqueles que curtiram qualquer um dos livros ou série dos Caçadores de Sombras. Quem ainda não começou nenhum deles, deixe esse livro para o fim se não quiser saber spoiler. É um complemento muito bom para quem curte esse mundo. Agora é esperar pra ver se teremos mais Magnus Bane pela frente, porque livros sobre os Caçadores de Sombras é que não vai faltar no currículo de Cassandra Clare.

Resenha: Onde Deixarei Meu Coração de Sarra Manning

Título: Onde Deixarei Meu Coração
Autora: Sarra Manning
Editora: Galera Record
Gênero: Young Adult, Romance
Ano: 2014
Páginas: 336
Sinopse: Simples, careta e sem graça. É assim que Bea se vê. Então quando a super descolada Ruby e seu bando de populares passam a se interessar por sua opinião, isso só pode ser uma pegadinha. Certo? Pelo menos é assim que sempre acontece nos filmes... Mas o convite para passarem as férias em Málaga parece pra valer. E com um bônus: Bea pode se afastar da mãe irritante e controladora. No entanto, depois de apenas 48 horas na Espanha, Bea se flagra mudando o itinerário. A menina decide visitar Paris para encontrar o pai que nunca conheceu. Afinal, a cidade luz pode emprestar um pouco de clareza a um período nebuloso de sua vida familiar. No caminho, ela conhece Toph, um estudante americano mochilando pela Europa. Enquanto procuram pelo pai dela nos cafés e boulevards de Paris, ela perde a cabeça em vez disso. Será que Bea é a garota de Toph ou a boa menina que sua mãe espera que ela seja? Ou será esse o verão mágico em que Bea finalmente torna-se dona do próprio nariz?

"Não quero beijar garotos estranhos em quartos estranhos - discursei. - Eu quero romance. Quero ser louca por um garoto e que ele seja louco por mim também, assim, mesmo que a gente acabe cometendo um erro, ele não me abandone num piscar de olhos. Mas romance parece estar tão fora de moda quanto usar vestidos da Primark."

Bea é uma adolescente comum, que se acha super normal e careta. Quando a menina mais popular da escola e suas amigas demonstram interesse nela, ela acha estranho, mas acaba se juntando a elas em uma viagem de férias para Málaga (Espanha) que irá mudar sua vida. Ela aproveita a viagem para tentar encontrar o pai que nunca conheceu e que acredita viver em Paris. No caminho, conhece novas pessoas, inclusive um gatinho que vai fazer seu coração bater mais forte, mas não só isso. Ela encontra a si mesma. 

[...] Porque eu não tinha uma vida, eu era monótona. Tudo a meu respeito era sem graça. [...] Mas o negócio era que eu não queria fazer o que as outras garotas da minha idade faziam, que e4ra ficar bêbada, dar uns amassos nos garotos e arrumar problema com os pais. Quero dizer, para quê? Você só acabava de ressaca, com chupões e sem mesada.

Minha leitura demorou um pouco pra engrenar porque eu não estava gostando muito do início. Nos capítulos iniciais eu não gostava de Bea. Ela é o tipo de personagem que se coloca pra baixo às vezes, mas o que menos gostei foi a maneira que ela era manipulada pelas populares. Ao mesmo tempo em que sabia que elas eram como eram, má influência e tudo mais, ela foi passando a gostar de estar ali, naquele grupinho, fazendo parte dele. 

[...] Em cinco minutos, Ruby havia conseguido desfazer 17 anos de mamãe pregando que era mais importante ser do tamanho certo para você do que do tamanho certo para os outros. 

Foi bem difícil continuar lendo esse livro. Só vi resenhas e comentários super positivos sobre ele, mas nas primeiras 100 páginas tudo que eu queria era estapear todos os personagens. Bea é manipulável e várias vezes tratada como lixo por Ruby e as amigas dela, mas ela aceita sem rebater na maioria das vezes e ainda concorda algumas vezes com o que elas dizem. Fica muito difícil gostar de alguém assim.

A abelha rainha Ruby é insuportável, assim como seu grupinho que conta com Emma, Chloe e Ayesha, que era a melhor amiga de Bea desde criança, até entrar para o grupinho e a ignorar por completo. O relacionamento entre as meninas me lembrou vários filmes onde a abelha rainha manda e as outras meninas do grupo obedecem e aceitam ser tratadas mal, apenas para fazer parte daquele grupo.

A mãe de Bea é outra que não curti. Ela é paranoica, pois teve Bea aos 17 anos, atual idade da filha e faz de tudo para que a filha não siga seu caminho, proibindo-a de sair, usar certas roupas, etc. O dia a dia dela se resume em: casa, escola, tomar conta dos irmãos gêmeos e ficar com as avós. Ou seja, vida social zero, garotos zero.

FELIZMENTE, quando chega lá pela página 100, Bea finalmente acorda, dá o troco e MUDA completamente de comportamento e personalidade, AMÉM! Aí sim, a história finalmente começou a andar... entendi que as cem primeiras páginas aconteceram como aconteceram para transformar Bea nessa nova pessoa. Eu senti como se estivesse lendo um livro completamente diferente quando novos personagens aparecem e essa renovada da protagonista acontece. 

"Este ano eu aprendi que a vida não tem esses finais bonitos e arrumadinhos que você pode embrulhar com um laço. É mais bagunçado que isso."

Eu adorei o grupinho de americanos universitários mochileiros que Bea conhece (ela é inglesa). E é claro que nesse grupo teria o gatinho, Toph, que conquistaria o coração da protagonista. Bea vai em busca de uma coisa e acaba encontrando outra: sua própria identidade. 

Nossa protagonista sempre amou tudo relacionado à França e Paris, e ao longo do livro vemos várias frases, expressões e referências francesas e essa parte foi bem interessante pra mim por estar estudando francês, então, eu tentava entender as frases e conhecia algumas das referências, principalmente da culinária francesa (não tem as traduções das frases/palavras no rodapé - são poucas, mas ainda assim acho que poderiam ter feito essa tradução para quem não tem nenhuma noção da língua).

Eu ainda estou meio chocada porque o começo da história me deixou com tanta raiva, mas aí passadas as tais 100 páginas iniciais, foi como se eu esquecesse que isso tinha acontecido porque foi praticamente fofura dali pra frente e eu acabei o livro suspirando...

A narrativa é sob o ponto de vista de Bea, a diagramação simples, mas boa, com bom tamanho de letra, páginas amarelas. A capa é encantadora com a Torre Eiffel ao fundo embaçada. Sem comparação é mais bonita que a americana (segue a capa americana abaixo, o título original é Nobody's Girl), mas acredito que os elementos parisienses da capa pudessem ser diferentes para combinar mais com a história. Mas é linda assim mesmo.


É um livro que trata bem a fase da adolescência, descobertas, dramas da idade, etc. Gostei que, mesmo não sendo o foco, acaba deixando uma mensagem de fortalecimento. Bea se torna mais forte, mais madura, ela encontra a si mesma, depois de passar por diversas situações. E como diz na capa, é um livro sobre amor, perda e identidade. 


Resenha: Cinder de Marissa Meyer

Título: Cinder
Autora: Marissa Meyer
Editora: Rocco
Gênero: Fantasia, Ficção Científica, Reconto, Young Adult
Ano: 2013
Páginas: 448
Sinopse: Num mundo dividido entre humanos e ciborgues, Cinder é uma cidadã de segunda classe. Com um passado misterioso, esta princesa criada como gata borralheira vive humilhada pela sua madrasta e é considerada culpada pela doença de sua meia-irmã. Mas quando seu caminho se cruza com o do charmoso príncipe Kai, ela acaba se vendo no meio de uma batalha intergaláctica, e de um romance proibido, neste misto de conto de fadas com ficção distópica. Primeiro volume da série As Crônicas Lunares, Cinder une elementos clássicos e ação eletrizante, num universo futurístico primorosamente construído.

Em um mundo futurístico, Cinder é uma humana/android de 16 anos. Ela é a mecânica mais reconhecida de Nova Pequim, mas suas peculiaridades fazem as pessoas se afastarem. Ela vive com sua madrasta e duas meias-irmãs. Peony é sua única amiga e boa com ela, mas Pearl, junto com a madrasta, não gosta dela. Num dia comum de trabalho ela recebe a visita do príncipe Kai para que conserte um ciborg antes do baile anual, onde há boatos de que o príncipe está em busca de uma noiva, mas antes de conseguir consertar o ciborg, algo inesperado acontece. 

Sua irmã Peony é infectada por um vírus que ainda não possui cura e está matando a todos que são infectados. Assim, sua madrasta a envia como "voluntária" a cobaia para a busca da cura, onde até agora ninguém sobreviveu. Ao começarem os testes com ela, os pesquisadores descobrem que ela é diferente de tudo que conhecem e que o motivo é algo pelo qual existam pessoas dispostas a matar para conseguir. 
Na parte inferior da tela surgiu uma informação: TAXA: 36%.
Ela era 36,8% inumana.
Nesse mundo criado por Marissa Meyer existem os seres lunares, que vivem na lua, são manipuladores e possuem um poder de controlar a mente dos humanos. Sua rainha atual, Levana, quer uma aliança com a Terra, através de um casamento com o príncipe Kai, em troca de não começar uma guerra contra eles. Ela é má, ditadora e manipula as pessoas a seu redor. A possível aliança que pode formar com Kai faria com que os humanos tivessem que se submeter a sua ditadura e maldade e a não aliança levaria a uma guerra, ou seja, de um jeito ou de outro as coisas não são boas para os terráqueos. Kai terá que decidir seu futuro e o de sua nação em breve, pois a rainha Levana chega a Terra querendo sua resposta. 
[...] Lunares eram pessoas cruéis e selvagens. Eles matavam suas crianças que nasciam sem o dom. Mentiam, trapaceavam e faziam lavagem cerebral uns nos outros porque podiam. Não se importavam com o mal que fariam, desde que fossem beneficiados.
A narração é feita em terceira pessoa, mas não somente sobre a visão de Cinder. Achei a linguagem um pouco complicada e a leitura não fluiu muito bem comigo, apesar da história estar interessante. Demorei a me acostumar com a narrativa, mas a história foi ficando melhor ao passar das páginas e isso ajudou muito. O acabamento do meu livro não foi bom, pois com apenas uma leitura as páginas pareciam que iriam descolar (não ia dizer não, mas meus livros da editora tem essa tendência  a descolar #ProntoFalei). Fiquei traumatizada depois de acontecer isso com meu livro preferido Jogos Vorazes (sorte que sou fã enlouquecida e coleciono em inglês, além de ter o box em português de "lembrança", porque gosto mesmo é de ler no original).

Cinder é uma personagem interessante, gostei de sua personalidade. Kai foi quem eu mais gostei. O pouco relacionamento que eles têm um com o outro foi uma das partes mais legais da história, porque era fofo e eu ficava torcendo por eles. 

Achei algumas coisas previsíveis e descobri as revelações finais já no início do livro, mas isso não tirou a graça da história que começou a me conquistar mesmo já quase na metade devido a narrativa que me cansou um pouco. O final deixa pontas soltas para a continuação, chamada Scarlet, onde além de Cinder temos uma nova protagonista.

Cinder foi uma versão voltada para Cinderela e Scarlet uma versão voltada para a história da Chapeuzinho Vermelho. Há ainda um terceiro livro, Cress, com Rapunzel e o quarto e último Winter (2015 no exterior) com Branca de Neve. Todos eles envolvem a personagem do primeiro livro Cinder. Além dos livros há 3 contos que se passam entre um livro e outro. 

Apesar das dificuldades iniciais com a leitura e a má qualidade da cola nas páginas, eu adorei a história e estou ansiosa pela continuação (que eu tenho em inglês). Foi interessante a mistura de conto de fadas, ciborgues, elementos distópicos e pós-guerra na história. Recomendo para quem gosta do gênero, de contos de fadas reescritos, e tudo mais que citei!






Resenha: Medo de Michael Grant

Título: Medo
Série: Gone #5
Autor: Michael Grant
Editora: Galera Record
Gênero: Young Adult, Ficção Científica, Sobrenatural, Terror
Ano: 2014
Páginas: 448
Compare preços
      
Sinopse: Já faz mais de um ano desde que todos os adultos simplesmente desapareceram. E apesar das mentiras, da praga e da fome que assolaram as crianças de Praia Perdida, de alguma forma elas foram capazes de sobreviver. No entanto, dessa vez as ameaças são ainda mais aterrorizantes do que antes. Dentro de LGAR, a Escuridão começa a dominar, e a luz do sol fica cada vez mais escassa. No escuro, enxergar torna-se impossível, assim como plantar e colher alimentos. O pânico e a ameaça da fome levam os moradores à beira da loucura.

Quatro meses se passaram desde o último livro e tudo parece estar em paz, mas é claro que num no mundo criado por Michael Grant, paz não é uma palavra recorrente e ela está prestes a acabar. Evitei ao máximo falar qualquer spoiler para quem não leu os últimos, já que esse é o 5º livro.

Ninguém com mais de 5 anos estava desarmado. Havia facas, facões, bastões de beisebol, cassetetes com grandes pregos atravessados, correntes e armas de fogo.

Há mais de um ano todos os adultos sumiram, ficando somente as crianças e adolescentes de até 14 anos no que elas chamaram de LGAR (Lugar da Galera da Área Radioativa). Depois de tudo que eles passaram, agora eles estão divididos em dois grupos: um na Praia Perdida e outro no Lago Tramonto, cada um liderado por alguém. Tudo está tranquilo nos últimos meses, mas a verdade é que não dá pra ficar totalmente despreocupado quando há a possibilidade de a Escuridão e Drake estarem vivos em algum lugar, só esperando para atacar. 
Merecia o inferno. E tinha a suspeita terrível de que o bebê dentro dela era o demônio enviado para leva-la até lá.

Além disso, quase todos humanos e criaturas vivas sofreram algum tipo de mutação e algumas das crianças tem poderes, desde mover coisas com a mente à super velocidade. Os animais também mudaram e alguns são terríveis, vemos desde cobras voadoras à insetos que comem os humanos de dentro para fora. Eles mais uma vez vão enfrentar vários problemas. E agora uma das meninas está grávida, só que o bebê está crescendo mais rápido do que supostamente devia e é certo que tenha poderes que parecem ficar mais forte com o tempo.

- Escuridão completa - disse Sam, para ouvir, para ver se conseguia aceitar. - Nada vai crescer. Não vamos poder pescar. Vamos... vamos vaguear no escuro até morrer de fome. As crianças vão deduzir isso. Vão entrar em pânico.
- Talvez a mancha pare.
Mas Sam não estava escutando.
- É o fim do jogo.

Após a parede que os cerca começar a mudar e escurecer, o pânico começa a invadir e o medo a tomar conta de todos. Como se não bastasse todos os problemas que enfrentaram, que estão enfrentando e os inimigos já conhecidos, um novo inimigo (completamente psicopata) com um grande poder, está surgindo e ele quer vingança contra aqueles que o ignoraram.

[...] Você sente o que essa escuridão faz com a gente? O modo como ela nos enclausura? De repente o pessoal percebe que está num grande aquário redondo. Medo do escuro, medo de estar trancado. A maioria vai ficar bem durante um tempo, mas o problema não é a “maioria”. São os elos mais fracos. Aqueles que já estão no limite.

A narração continua a mesma, sob a visão de vários personagens e isso não é confuso, na verdade é ótimo, porque uma história assim pede esse tipo de narrativa para sabermos o que acontece em todo canto. A única coisa que não entendi foi a capa nacional, que achei belíssima (prefiro as nacionais do que as originais sem graça), porque nos quatro livros anteriores a capa fez sentido pra mim, mas nessa há três criaturas das quais eu não consegui identificar na história. No máximo, os que parecem lobos, poderiam ser os coiotes (que falam e comem humanos), mas a do meio que mais parece um lobisomem ou algo do tipo eu não identifiquei. 

Algo que achei bem interessante é que haviam capítulos que mostravam o lado de fora do LGAR, da redoma/cúpula que prendia as crianças do lado de dentro e pudemos saber mais sobre o que acontecia do lado de fora. As pessoas sabiam que havia uma redoma ali? Alguém estava tentando fazer alguma coisa? Onde estavam os adultos que sumiram no dia que a redoma cercou Praia Perdida? O que acontecia com as crianças que completavam 15 anos e sumiam? Temos algumas dessas respostas e parece que teremos muito mais no último livro da série. 

A série Gone é aquele tipo de série que quando você acha que não pode mais ser surpreendido, você acaba sendo. O título faz jus a história. Claro que medo é algo que todos sentem desde o início de tudo, mas o MEDO com que se deparam nesse livro é mais horripilante.

[...] Drake não era Caine. Caine era um sociopata sem coração, implacável, que faria qualquer coisa para aumentar seu poder. Mas Caine não se jubilava com a dor, a violência e o medo. Por mais que fosse amoral, Caine era racional.

É incrível como o autor conseguiu fazer crianças, tão cruéis, maldosas, psicopatas, insanas e nesse livro (e em todos da série) eu fiquei apavorada com algumas coisas das quais elas eram capazes. Todo livro foi uma surpresa e nesse eu ficava esperando algo de bom acontecer (no sentido de o bem superar o mal), mas as coisas só desandavam e posso resumir tudo em uma palavra: CAOS! 

Mais um ótimo livro da série Gone e eu quero o último livro, Light (Luz) pra ontemmmm! Preciso desesperadamente saber como acaba essa história. O final foi WOW... PRECISO DO PRÓXIMO! Eu definitivamente recomendo a série para aqueles que como eu, amam coisas horripilantes, que tem estômago forte, que não tem problema com violência de todo tipo ou que não se assustam facilmente. Não é um livro para todo o público. A série Gone é sombria, pois envolve crianças tentando sobreviver, crianças matando crianças, crianças bebendo ou se drogando pra esquecer a vida sofrida que estão vivendo e muito mais. 

Eu tive alguns problemas ao longo da leitura, nem tudo foi perfeito, havia momentos que eu queria que a coisa seguisse e tinha um pouco de enrolação, pelo menos pra mim, que estava ansiando ação, ação e mais ação! Mas é uma série fantástica, que aprendi a amar desde o primeiro livro e acho que apesar de 6 livros no total, vale muito a pena ser lida. 



Resenhas dos anteriores:
  1. Gone (resenha da Renata - que criou o blog)
  2. Fome
  3. Mentiras
  4. Praga





Resenha: Reiniciados de Teri Terry

Título: Reiniciados
Série: Slated #1
Autora: Teri Terry
Editora: Farol Literário
Gênero: Distopia, Ficção
Ano: 2013
Páginas: 432
Sinopse: As lembranças de Kyla foram apagadas, sua personalidade foi varrida e suas memórias estão perdidas para sempre. Ela foi reiniciada. Kyla pode ter sido uma criminosa e está ganhando uma segunda chance, só que agora ela terá que obedecer as regras. Mas ecos do passado sussurram em sua mente. Alguém está mentindo para ela, e nada é o que parece ser. Em quem Kyla poderá confiar em sua busca pela verdade?

Intrigante, Reiniciados tem aquele tipo de história que nos deixa curiosos para descobrir os segredos por trás de tudo. Não sabemos o que é verdade, o que é mentira, o que é memória, o que é sonho, o que é real ou não, deixando-nos apreensivos com tudo o que vem pela frente. 
“[...] não me dispensam mais atenção do que para uma minúscula aranha no corredor. Reiniciados: indignos de serem notados. Não somos ameaça."
Em um futuro próximo, a Europa é assolada por um colapso econômico e fica em um período conturbado. No início as manifestações dos estudantes eram pacíficas, mas a frustração e a raiva crescem e assim a violência aumenta. Com isso os Lordeiros são criados e eles tem tolerância zero à violência e desobediência civil. Para reabilitar aqueles que ficam contra esse novo estabelecimento, o governo encontra uma maneira de controlar os rebeldes, as gangues, os manifestantes e qualquer outro grupo de pessoas que poderia desobedecer as novas leis, criando o programa “Reiniciados”, onde TODA a memória dos infratores menores de 16 anos seriam apagadas e eles começariam uma nova vida do zero, com uma nova família e tenho que reaprender tudo de novo.
"[...] não sou uma nova pessoa, não importa o quanto eles digam que sou. E se não sou uma nova pessoa, seja lá o que eu tenha feito, ainda está aqui, ainda é parte de mim, escondida em algum lugar."
Kyla é uma Reiniciada um pouco diferente e levou mais tempo que os demais para sair da clínica onde recebeu o programa, tem sonhos e possíveis lembranças que não deveria, mas ainda assim é levada para uma nova família, ganhando assim um pai, uma mãe e uma irmã também Reiniciada. Nessa nova vida, ela começa a ter flashes e sonhos de coisas que lhe parecem familiares e precisa esconder isso de todos para não passar pelo procedimento de novo, afinal, ela não pode se lembrar de nada do passado. Sem saber em quem confiar ela terá que enfrentar os desafios que virão, inclusive um novo garoto que entrará em sua vida e a mudará para sempre. 
"Minhas memórias se foram, mas parte de mim se lembra. Meu corpo, meus músculos [...] Então não é a mesma coisa que começar do zero, não mesmo. É como se, ao dar o impulso certo, você consiga fazer coisas que tinha esquecido. Quem sabe do que mais sou capaz?"
Achei interessante a história se passar em Londres num futuro não tão distante (uns 40 anos à frente). Os Reiniciados devem obrigatoriamente seguir as regras. Cada Reiniciado tem um aparelho chamado Nivo, que mede sua “felicidade”. O objetivo é ficar acima do nível 5. Se esse valor diminui, há consequências, como por exemplo desmaio e inconsciência. Estar num nível baixo significa que o Reiniciado está ficando agressivo, raivoso e como objetivo é fazer com que não haja nenhum problema como antigamente com manifestações, gangues, etc., eles precisam estar com um nível aceitável no Nivo. O resultado pode ser até mesmo a morte. 

Não há muita ação, mas o mistério, os segredos, as injustiças nos intrigam de uma forma que faz com que queiramos ler, ler e ler até descobrir o que as pessoas e o governo escondem, quais seus planos, etc. Pessoas começam a desaparecer, a serem pegas por coisas mínimas e a segurança (ou seja, os Lordeiros) começa a crescer pela cidade. Novos possíveis ataques são esperados. Novas prisões. Novos perigos. Novos segredos. 
"Ele me segura, me abraça. Sua proximidade faz com que meu coração bata mais rápido, minha pele está formigando, meu corpo deseja coisas que desconheço. Todas as coisas que dizem para evitar por causa do meu Nivo. Como seria viver sem aquilo?"
A diagramação é simples e boa, com letras em um bom tamanho, folhas amarelas, os capítulos curtos e a narração em primeira pessoa sob a visão de Kyla. Gostei dos personagens, mas não cheguei a amá-los. Kyla é interessante, sem as memórias, suas atitudes diferentes dos outros Reiniciados. Ben foi uma incógnita em alguns momentos, mas de modo geral gostei dele. Há outros como a “mãe” o “pai” e a “irmã” reiniciada de Kyla que foram os que mais me deixaram em dúvida na história, se eram ou não confiáveis e quais segredos eles escondem. 

Sabem aquele ditado que diz para não criar muita expectativa com nada? Pois é, eu ainda estou tentando aprender isso rs. Reiniciados foi uma leitura que me agradou bastante, tem uma boa narração, bons personagens, boa diagramação, boa trama, mas senti falta de alguma coisa que não sei exatamente o que é. Acredito que foi a tal expectativa e também por ser um livro introdutório, não houve muita ação como eu esperava. Acho que porque estou mais acostumada a ler distópicos com mais movimentação. Mas de toda forma, foi um bom livro e uma boa leitura! Com certeza vou continuar até o último e em breve começo o segundo volume!




Resenha: Invisível de Andrea Cremer e David Levithan

Título: Invisível
Autores: Andrea Cremer e David Levithan 
Editora: Galera Record
Gênero: Ficção Estrangeira
Páginas: 322
Ano: 2014
Compare preços

Sinopse: Stephen passou a vida do lado de fora, olhando para dentro. Amaldiçoado desde o nascimento, ele é invisível. Não apenas para si mesmo, mas para todos. Não sabe como é seu próprio rosto. Ele vaga por Nova York, em um esforço contínuo para não desaparecer completamente. Mas um milagre acontece, e ele se chama Elizabeth. Recém-chegada à cidade, a garota procura exatamente o que Stephen mais odeia. A possibilidade de passar despercebida, depois de sofrer com a rejeição dos amigos à orientação sexual do irmão. Perdida em pensamentos, Elizabeth não entende por que seu vizinho de apartamento não mexe um dedo quando ela derruba uma sacola de compras no chão. E Stephen não acredita no que está acontecendo... Ela o vê!

Pare um instante, feche os olhos, respire fundo e imagine. Imagine passar pela vida despercebido. Literalmente. Ao andar na rua, as pessoas não poderiam desviar de você, porque elas não lhe enxergariam. Da mesma forma elas não poderiam dar bom dia ou oferecer ajuda se você estivesse precisando. Escola, faculdade, um emprego, coisas aparentemente cotidianas, para você não passariam de sonhos distantes. Você não seria apenas esquecido, não, você simplesmente jamais teria existido. Ninguém se lembraria do seu sorriso, da sua forma única de ajeitar o cabelo ou da cor intensa dos seus olhos. Invisível. Essa palavra pesa e ecoa. Traz pensamentos sobre quando seu melhor amigo lhe ignorou ou aquela pessoa especial fingiu que você não estava ali, torcendo para que ela viesse dizer um oi. E dói. Ser invisível. Não significar nada. Sem possibilidade de mudança. Nunca.

Essa é a realidade de Stephen. Quando se encara no espelho, é como se ele não estivesse ali, só o que se reflete é o ambiente onde ele está. Ninguém pode lhe ver. Seu pai, sentindo que o peso daquela maldição era muito para seus ombros, simplesmente parte para viver com outra família. Após perder também a mãe, Stephen passa a vagar por Nova York, tentando ocupar seu tempo e conseguir para si o mínimo de normalidade que lhe é permitido. Em um dia vazio como qualquer outro, Stephen está retornando a sua casa, quando uma menina desconhecida, sua nova vizinha, tropeça nele e derruba suas sacolas. E o mais impressionante: Ela fala com ele. Naquele instante, ele acredita que finalmente a maldição que o aprisiona desde que nasceu esgotou-se, mas minutos depois, percebe que não, Elizabeth é a única a poder vê-lo. Por que será que ela e somente ela pode lhe ver? Stephen, Elizabeth e o doce Laurie, irmão da moça, veem, juntos, um novo mundo descortinar-se a sua frente. E terão que fazer escolhas e tomar decisões cruciais e difíceis para que tudo fique bem no final.
"Meus dias são muito parecidos uns com os outros. Acordo quando quero. E tomo banho, mesmo que seja difícil me sujar. Faço isso sobretudo para que possa me concentrar no fato de ter um corpo e, então, ter a sensação da água tocando minha pele."
Além da premissa, algo bem interessante nesse livro é o fato de ter sido escrito por dois autores, e o melhor, esses dois autores formam uma parceria brilhante. Os capítulos são apresentados um na visão de Stephen e o seguinte na de Elizabeth, assim sucessivamente, sempre em primeira pessoa. A escrita é extremamente envolvente, rebuscada e leve em proporções iguais, gerando assim um encaixe perfeito e principalmente, muito agradável. Simplesmente não dá vontade de parar de ler. A curiosidade e o envolvimento são grandes demais. 
"As pessoas dizem que o tempo escorre pelos dedos como areia. O que não reconhecem é que um pouco da areia gruda na pele. Essas são as lembranças que ficarão, memórias da época em que ainda havia tempo." 
Stephen é um personagem fantástico e complexo. E aqui parabenizo os autores, que souberam trabalhar o lado emocional da situação na medida certa para o leitor sentir e não achar dramático em demasia. Mas um personagem impressionante, divertido e realmente especial, que deu um tom descontraído e ao mesmo tempo doce a história foi Laurie, o irmão homossexual de Elizabeth. A forma que ele foi retratado foi perfeita. Levitan sempre procura mostrar em seus livros como é natural ter preferências diferentes das aceitas pela maioria da sociedade, e nesse não foi diferente. E posso dizer que ele mais uma vez teve sucesso. Laurie me cativou, com seu jeito franco, brincalhão e ao mesmo tempo protetor, terno, aberto e acolhedor. Elizabeth é forte, decidida e intensa.
"Depois de algum tempo, parei de me perguntar sobre os “por quês”. Parei de questionar os “comos”. Parei de notar os “o quês”. Permaneceu simplesmente minha vida, e eu simplesmente a conduzo. Sou como um fantasma que nunca morreu."
Essa é uma história surpreendente, que toma rumos difíceis de prever e tem a dose certa de romance. O final me deixou levemente insatisfeita, mas nada muito significativo. Bem fácil de superar. Creio que a complexidade do resto da trama mantém seu mérito.

Minha curiosidade por esse livro começou por já ter lido, e me encantado, por Todo dia, outro título de Levithan, dessa vez sozinho. Não me decepcionei. Ambos os livros são radicalmente diferentes, mas de certa forma parecidos, e me causaram o mesmo impacto e o mesmo tanto de reflexões.
"Tenho de aprender a ter consciência dela e consciência de mim ao mesmo tempo. Sou tão novato nessa coisa toda e desconfio profundamente de que isso seja o que as outras pessoas chamam de amor."
Me peguei pensando em tantas coisas ao decorrer dessa leitura. Refleti sobre as pessoas, suas atitudes, suas dificuldades. Discorri mentalmente sobre desafios, família, força, mas principalmente sobre amor. 

Invisível é uma história tocante, intensa e genial. Um enredo simples, transformado em páginas repletas de emoções, aventura, sentimentos e escolhas. Indicado a quem se deixará levar pela magia tão bem tecida por esses dois autores de talento ímpar.

*Sobre a capa: Ela é um pouco complicada de descrever. Tem seu fundo verde, título em amarelo, autores em branco e na metade de baixo vários traços amarelos, com exceção de um verde escuro ali entre eles. Pra mim, a capa representa que ele (seja um traço qualquer ou a representação do personagem) era o único diferente ali, no meio de tantos iguais, o único invisível. Não sei se foi realmente isso, mas foi assim que pude ver. (Andresa)



Resenha: Cartas de Amor aos Mortos de Ava Dellaira

Título: Cartas de Amor aos Mortos
Autora: Ava Dellaira
Editora: Seguinte
Ano: 2014
Páginas: 344
Compare preços

Sinopse: Tudo começa com uma tarefa para a escola: escrever uma carta para alguém que já morreu. Logo o caderno de Laurel está repleto de mensagens para Kurt Cobain, Janis Joplin, Amy Winehouse, Heath Ledger, Judy Garland, Elizabeth Bishop… apesar de ela jamais entregá-las à professora.
Nessas cartas, ela analisa a história de cada uma dessas personalidades e tenta desvendar os mistérios que envolvem suas mortes. Ao mesmo tempo, conta sobre sua própria vida, como as amizades no novo colégio e seu primeiro amor: um garoto misterioso chamado Sky. Mas Laurel não pode escapar de seu passado. Só quando ela escrever a verdade sobre o que se passou com ela e com a irmã é que poderá aceitar o que aconteceu e perdoar May e a si mesma. E só quando enxergar a irmã como realmente era — encantadora e incrível, mas imperfeita como qualquer um — é que poderá seguir em frente e descobrir seu próprio caminho.

Escrever é mais do que enfileirar letras em uma folha de papel ou na tela de um computador. Mais do que apenas construir frases e tornar parágrafos coerentes. Escrever é se abrir. Deixar que as palavras exponham sua personalidade, seus pensamentos, medos e angústias, das diversas formas existentes. Alivia, liberta, clareia as ideias e traz novas perspectivas. As palavras ajudam a conseguir respostas, desvendar enigmas e tornar mais fáceis os inconvenientes do cotidiano. Escrever é conseguir abrigo. Abrigo do mundo, em si mesmo. Uma proteção feita de pontos, vírgulas e interrogações.

Escrever, assim como falar, é terapêutico. A diferença é que da ponta de uma caneta podem sair coisas que ninguém, além de você mesmo precisa saber. Não importa se em forma de diário, poesia ou cartas que jamais serão entregues, as palavras consolam e guardam os mais íntimos segredos. E foi esse consolo, o consolo das letras, que Laurel, uma doce garota de quinze anos encontrou ao escrever cartas, relatando as minúcias de seu cotidiano e tentando desvendar a si mesma a cada nova página escrita.


Após perder a irmã, May, em circunstâncias trágicas, a jovem muda-se de escola esperando começar de novo. Mas acaba descobrindo que isso será mais difícil do que parecia. Faz amizades, apaixona-se. E em meio a tudo isso, escreve cartas.

Cartas para pessoas mortas. Kurt Cobain, Amy Winehouse e Amelia Earhart são alguns dos destinatários de Laurel, que transforma o que fora uma simples tarefa de inglês em uma forma única de diário. A partir daí, o passado se mescla com o presente, em uma torrente de fatos que desencadeia a revelação de alguns importantes segredos. E o principal, Laurel descobre algo que mudará sua vida para sempre.
"Hoje, no fim da aula, quando a Sra. Buster pediu para entregarmos as cartas, olhei para o caderno em que tinha escrito a minha e o fechei. Assim que o sinal tocou, recolhi meu material e saí. Tem coisas que não posso contar pra ninguém além das pessoas que já não estão mais aqui."
A premissa desse livro é bastante interessante, diferente e criativa. O modo de narração é epistolar, totalmente narrado pelas cartas, que além de contar fatos da vida da personagem, ainda contextualizam com curiosidades a respeito da pessoa que estaria recebendo a carta, com reflexões sobre os atos e seus porquês. O tom é bem confessional e descontraído, com certo ar reflexivo.
"Ultimamente, tenho ouvido você de novo. Coloco In Utero, fecho a porta e os olhos e escuto o álbum inteiro várias vezes. É difícil explicar, mas quando estou ali, ouvindo sua voz, sinto que começo a fazer sentido." (Para Kurt Cobain)
Laurel é imatura, influenciável, sempre a sombra da irmã. Porém ao longo da história ela amadurece e se transforma bastante. As outras personagens são igualmente complexas, envolvidas em dramas pessoais, o que pode tirar um pouco a atenção do foco principal da história. Achei a leitura um pouco arrastada em alguns momentos, mas no geral o ritmo é agradável. 
"Ele nunca precisaria saber, pensei. Eu podia ser uma nova pessoa. Eu seria May, a corajosa e mágica May. Eu não seria Laurel, aquela que ferrou com tudo. Então me concentrei até Sky ser a única coisa que eu conseguia ver."
Durante o livro há um certo suspense até interessante, se bem que é possível presumir mais ou menos qual é o mistério, mas o final me incomodou um pouco, uma situação ficou mal explicada, não exatamente mal explicada, mas creio que poderia haver um desenvolvimento melhor. Mesmo assim a trama não perde o mérito. Indicada para pessoas que refletem sobre as pequenas coisas e enxergam além das histórias aparentemente simples.
"Não sei por quê, mas, nesse lugar cheio de desconhecidos, fico feliz que Sky e eu estejamos respirando o mesmo ar. O mesmo ar que você respirou. O mesmo ar que May respirou."
Receio ter posto muitas expectativas em cima desse livro, se não fosse esse fato creio que teria conseguido apreciar melhor a beleza única das palavras de Ava, que conquista com sua escrita leve.

A leitura me causou tantos sentimentos contraditórios, tantos pensamentos aleatórios e reflexões loucas. Creio que quem gostou de As vantagens de ser invisível gostará desse da mesma forma. Um livro doce, inusitado e profundo a sua maneira. Quem realmente se envolver com a história se verá torcendo para que uma determinada personagem ganhe coragem, a outra tome a decisão certa, a outra aceite a si mesma... 

Cartas de amor para os mortos mostra os conflitos e dificuldades de alguém que descobre como viver por si mesma, encontrando na companhia de ídolos já falecidos a solução para suas questões. Passando pelo difícil período da adolescência, coisas naturais como a primeira paixão e outras mais obscuras, pelas quais ninguém deveria ter que passar, ainda mais uma criança. Indico para todos aqueles dispostos a transcender os limites do comum e passar algumas horas redescobrindo inclusive a si mesmo.

A capa é muito bonita com tons azuis escuros, arroxeado, laranja quase perdendo a cor e nuvens, como o céu parece às vezes quando o sol começa a se pôr. Entre o título, uma menina sentada de perfil escrevendo no que parece ser um diário. O título ganha a cor branca inicialmente e preto na palavra Mortos. (Andresa)


Resenha: Colin Fischer de Ashley Edward Miller e Zack Stentz

Título: Colin Fischer
Autores: Ashley Edward Miller e Zack Stentz
Editora: Novo Conceito
Gênero: Young Adult, Mistério, Ficção
Ano: 2014
Páginas: 176
Compare preços

Sinopse: Resolvendo o crime. Uma expressão facial por vez. O ano letivo de Colin Fischer acabou de começar. Ele tem cartões de memorização com expressões faciais legendadas, um desconcertante conhecimento sobre genética e cinema clássico e um caderno surrado e cheio de orelhas, que usa para registrar suas experiências com a MUITO INTERESSANTE população local. Quando um revólver dispara na cantina, interrompendo a festinha de aniversário de uma das garotas, Colin é o único que pode investigar o caso. Está em suas mãos provar que não foi Wayne Connelly, justamente aquele que mais o atormenta, que trouxe a arma para a escola. Afinal de contas, a arma estava suja de glacê, e Wayne não estava com os dedos sujos de glacê…

Colin Fischer é uma menino bem peculiar de 14 anos, que está entrando para o colegial. Ele tem cartões com expressões faciais para compreender o que as pessoas estão tentando demonstrar, não gosta de ser tocado por ninguém, não gosta de barulho alto, evita contato visual e vive com o “Caderno” onde anota tudo que vê, principalmente o comportamento das pessoas, para tentar entender o que acontece a seu redor. Além disso, ele é muito inteligente, especialmente quando se trata de matemática, que ele adora, mas ele não se socializa muito bem com as pessoas.

Danny não respondeu à pergunta do irmão. Sabia que era apenas uma parte do roteiro social de Colin e não fazia segredo de seu ódio pela natureza forçada, quase robótica, das relações do irmão dele. [Pág. 15] 
Sua peculiaridade não é à toa, pois ele tem Síndrome de Asperger. Pelo que andei pesquisando essa síndrome “é frequentemente considerada uma forma altamente funcional de autismo e pode levar à dificuldade de interagir socialmente, comportamentos repetitivos e falta de jeito”. E isso descreve Colin. Ele acaba sofrendo bullying na escola por ser “diferente”. Às vezes fisicamente, outras verbalmente.
[...] Ele não gostava de ser tocado por nenhuma pessoa, nem mesmo pelos pais, embora fosse tolerante quando devidamente informado. [Pág. 18]
Quando um incidente ocorre na cantina da escola e um tiro é disparado, Colin, que adora investigação (ele é fã de Sherlock Holmes e do seriado C.S.I.), vai tentar descobrir o culpado e inocentar aquela pessoa que desde sempre o atormentou na escola. Nós embarcamos nessa aventura junto a ele na tentativa de descobrir o que aconteceu e enquanto isso vemos algumas evoluções em relação a sua vida familiar e dele próprio.
No início da leitura, conforme fui percebendo suas peculiaridades, imaginei que ele teria algum tipo de autismo, mesmo que não conheça muito o assunto, ele me lembrou um personagem autista que vi no filme "Código para o Inferno". Inclusive, no livro ele é comparado por alguns à um personagem autista do filme Rain Main
- Fui diagnosticado como altamente operacional, mas ainda tenho poucas habilidades sociais e problemas de integração sensorial que me dão déficits graves na área de coordenação física. [Pág. 37] 
Colin é um personagem que gostei bastante. Não havia lido nenhum livro com alguém com qualquer forma de autismo, e achei muito interessante como os autores criaram o personagem. Não sei se algum dos autores é perito no assunto, ou se conhecem alguém com a síndrome ou algo do tipo, mas a forma como abordaram foi importante para conhecermos um pouco sobre como podem agir e pensar, aqueles que a possuem. Colin evolui seu jeito de ser conforme às páginas e também em seu ambiente familiar.

É um livro bem curtinho, menos de 200 páginas, e dá pra ser lido em um dia tranquilamente. Sua diagramação é muito boa, com letras num bom tamanho, afastado das margens e há a mudança da fonte em algumas ocasiões, por exemplo, quando ele escreve em seu caderno ou no início de cada capítulo onde ele conta algum fato, seja da sua vida, seja sobre a doença, etc. Acredito que daria pra ter mais história pela maneira como o livro terminou. De qualquer forma, gostei muito do livro e recomendo sua leitura.

* Descrição da capa: A capa é muito interessante e representa bem a história. Ela conta com um fundo azul e um menino de camisa laranja, sem rosto ou mais precisamente com a face invisível, aparecendo somente os óculos e o cabelo. Ao fundo vários rostinhos desenhados com expressões faciais e o que cada uma delas significa. Exatamente como os cartões que Colin coleciona para saber o que cada expressão facial pode significar. 

* À pedido da Aninha, tentarei fazer ao final das resenhas, uma breve descrição das capas, para aqueles que visitam o blog e possuem alguma deficiência visual e querem ter uma ideia de como são as capas dos livros resenhados. (Andresa)



Resenha: O Sacrifício (Hex Hall #3) de Rachel Hawkins

Título: O Sacrifício
Série: Hex Hall #3
Autora: Rachel Hawkins
Editora: Galera Record
Gênero: Sobrenatural, Romance, Young Adult
Ano: 2014
Páginas: 304
Compare preços

Sinopse: Neste terceiro volume de Hex Hall, Sophie Mercer, com seus poderes reprimidos pelo Conselho dos Prodígios e mais vulnerável do que nunca, deve impedir a guerra épica que se aproxima. O único feitiço capaz de ajudar Sophie a recuperar os seus poderes está bem guardado no Hex Hall, onde tudo começou, protegido pelas malignas irmãs Casnoff. Acompanhada de sua melhor amiga-vampira Jenna, seu namorado Archer, seu noivo Cal (sim, a vida amorosa dela é complicada), e uma fantasma pentelha, Sophie travará uma batalha contra um exército de demônios. Mas mesmo com seus melhores amigos e aliados, o destino de todos os Prodígios está nas mãos dela, e somente dela.

Não há muito o que falar sem dar spoiler, já que é o último livro, então farei o máximo para não falar demais! Comecei a leitura sem lembrar quase nada que aconteceu no livro anterior (tenho essa tendência com sequências). Mas conforme fui lendo, recordei de algumas coisas, até porque o próprio texto trás umas lembranças à tona.

Sophie Mercer agora precisa encontrar sua mãe e salvar seus amigos, depois dos acontecimentos do livro anterior. O que ela não sabe é que seu passado não é o que ela acredita ser e que ela poderá ser a arma que estava faltando para uma guerra que se aproxima entre o bem e o mal. Sophie terá que ir até o inferno, literalmente, para tentar salvar seus amigos e todos com quem se importa.

[...] Mas a razão principal foi que acordá-la significava ter de dizer adeus, e dizer adeus para uma pessoa quando você está planejando entrar no inferno teria parecido meio... definitivo. [Pág. 242] 
Sophie continua a mesma adolescente atrevida, sarcástica e cheia de piadinhas. Conhecemos novos personagens e revemos alguns que já conhecemos. Meu personagem favorito durante toda a série foi Cal, que quase não aparece e nesse último gostei da Elodie (que eu odiava no primeiro livro). Não vou comentar muito sobre os personagens que voltam porque pode acabar sendo spoiler, já que não fica tão claro quem sobreviveu ou não no final do livro anterior rs. 

A narração continua sob a visão de Sophie e em primeira pessoa. A diagramação segue o mesmo padrão que os anteriores, com letra em um bom tamanho para leitura, texto afastado das margens, páginas amarelas. O livro é fino, 302 páginas, então a leitura é rápida. A capa segue o novo padrão, o que ótimo, porque eu não gostava nadica da capa roxa que lançaram no primeiro livro. 

Tem romance, um pouquinho de mistério e aventura. Não podia esquecer do triângulo amoroso que começou a tomar forma mais concreta no segundo livro. Sophie namora um e é noiva (arranjada) de outro... pois é! 
- Quando você vai perceber que Archer Cross não é uma boa? ... É um mentiroso e um imbecil e não é nem de longe tão engraçado quanto ele acha que é. E você está noiva do Cal. Vai dispensar um menino que cura qualquer ferida e é super gostoso? Eles não aparecem todos os dias. [Pág. 195]
Não sei o que foi dessa vez, mas os personagens não me cativaram tanto como nos livros anteriores. Talvez seja uma fase, mas ficou um pouco difícil acompanhar a história sem ter muita simpatia por eles. As piadinhas de Sophie já não tinham a mesma graça, achei bem bobinhas, quem sabe porque tive que ficar uns 8 dias sem poder ler e a leitura esfriou nesse tempo. 

Conforme fui lendo, já havia pensado na nota que daria ao livro, 3 corações, porque o livro foi bem morno do início ao fim, só que um acontecimento no final me fez querer tacar o livro longe (eu estava no ônibus lendo e uma lágrima ameaçava cair) e por isso, tirei mais uma estrela. Agora minha nota final será 2, porque me chateei muito com a autora por fazer isso. 

Como eu disse antes, pode ter sido o fato de eu ficar dias sem ler e interromper a leitura na metade (coisa que odeio fazer) e voltar a ler já sem vontade que me fez não curtir muito. O último livro me chateou muito, mas de maneira geral a série é legal. Não achei nada maravilhosa, mas é uma boa leitura para passar o dia.



Resenha: Mocassins & All Stars de Clara Savelli

Título: Mocassins & All Stars
Autora: Clara Savelli
Editora: Com-Arte
Gênero: Romance, Young Adult
Ano: 2014
Páginas: 456

Sinopse: Depois da morte de seu pai, Julie e sua mãe deixam a movimentada Nova York e se mudam para Monterey, lar da avó materna que ela ainda não tinha tido a chance de conhecer. Ela frequenta as aulas no colégio mais caro e puxado da cidade. Pra não comentar sobre os estudantes preconceituosos e superficiais. Aos poucos arruma grandes amigos, mas infelizmente o pacote vem com alguns inimigos. Tudo culpa de Arthur, que coloca Julie em furadas desde o dia que ela coloca os pés na escola. Entre mistérios, brigas e romances, Julie descobre algo sobre sua avó que muda o rumo de todas coisas. E tudo que ela queria era terminar o ensino médio e comprar uma moto. Mas a vida não poderia facilitar tudo pra ela, poderia?

Oi pessoal! Hoje vou falar de um livro... Nacional! Aeeeeeeeeeê! Isso é tão raro, que estou feliz e ansiosa... "Mocassins e All Stars" da fofa, Clara Savelli (em breve tem entrevista com ela aqui no blog, fiquem ligados!).

Bom, se eu puder descrever Mocassins em uma palavra, seria a mesma que usei quando citei a Savelli... Fofo! No pouco contato que eu tive, ela sempre foi atenciosa comigo (SIM! Tem escritores que são bem "estrelas"... Garanto que não é o caso dela...).

Sabe, aqueles livros que você começa a ler, daí acha fofo... E fica curioso... Depois se chateia... Se emociona... Daí acha fofo de novo?! Bem assim...
A história...

Mocassins conta a história de Julie Kremman, uma adolescente de dezessete anos que está (como quase todo adolescente) passando por mudanças em sua vida, mas as mudanças de Julie são bem dolorosas. Julie perdeu o pai recentemente, mudou de escola, de cidade... Ela e sua mãe Rose, foram morar perto da sua avó Lucy.

O dia seguinte marcava o início de uma nova fase na minha vida. Uma escola nova, em um estado novo. Desde que meu pai morreu, eu e minha mãe trocamos a movimentada Manhattan em Nova York por Monterey, na Califórnia...

A nova vida de Julie, gira praticamente em torno da escola, novos amigos. Amei o estilo da Leah, e que fofura é o David (suspiro!). Patricinhas, mega, super, insuportáveis... que garota irritante é a Bárbara, arghhhhh!

E é claro, o carinha... Arthur Torrez! Lindo, popular, lindo, misterioso, lindo, atlético, lindo... Eu já disse lindo? Sim, clichê, eu sei, mas acreditem, vale a pena conhecê-los, toda a turma!

O que eu amei...

Savelli escreve de maneira leve, inteligente, descontraída... Bons diálogos... Eu amo quando um personagem divaga, e Julie faz muito isso. A história é simples e encantadora, tem... Como eu posso dizer... Frescor! Isso! Juventude, em cada capítulo...

Tem romance (é claro!), desentendimentos, desencontros, mistério... Todos os bons ingredientes de uma boa leitura...
"— Esquisito. –– eu disse.— O quê? –– ele perguntou com um sorriso.— Como a gente é tão diferente um do outro. –– eu disse, fitando os olhos dele. –– E mesmo assim, isso... –– eu disse me referindo a nós dois. — ... funciona.— Se você tivesse prestado atenção na aula de Física saberia o motivo. –– ele disse me puxando ainda mais para perto dele.— É? Por quê?— Coulomb te explica. –– ele afagou meus cabelos. Coulomb? Peraí, eu me lembro dele... Eu sei quem ele é.— Cargas iguais se repelem. –– eu disse vagarosamente. –– Eu lembro que ele disse isso.— É, — ele puxa meu rosto pra cima. –– mas ele também disse que cargas opostas se atraem.— E como isso se relaciona com a ge... –– eu começo a falar, mas logo percebo..."
Posso dizer que amei o título? Achei super original, e o melhor, tem tudo a ver com a história! Mas não posso explicar, até falar do título seria spoiler... Vocês terão que ler para entender... ;)

O que me incomodou um pouco...

Incomodou um pouquinho a história se passar fora do Brasil. Não tem nada a ver com patriotismo, não é isso... É só que, adolescente é adolescente em qualquer lugar do mundo, okay! Mas eu não sei, algumas vezes achei difícil me convencer. Eu me transportava para uma escola brasileira facilmente, eu achei que os personagens tinham "pensamentos e atitudes" de brasileiros... E de repente, eu lia a palavra, Nova York, Califórnia e tentava me situar... Foi um pouquinho estranho.

Melhor quote...
"— Julie, sua ridícula. –– o sorriso dele abriu ainda mais. –– Se for assim, eu quero te usar pelo resto da minha vida. Senti minhas bochechas corarem. Mas se percebeu, Arthur não comentou nada. — Pois é, Julie. Quem diria.— Quem diria o que?— Que aquela garota que me esculachou na porta do meu armário iria se tornar o grande amor da minha juventude. –– ele disse, então completou –– Eu ia dizer da minha vida, mas aí achei que você poderia se assustar com a intensidade e correr para as montanhas.— Não. –– eu ri, brincando. –– Já me acostumei com a ideia.— Que ideia?— De passar o resto da vida com você..."
"Mocassins e All Stars", é adorável. De verdade! Já virei fã da Savelli, e estou ansiosa para seus futuros lançamentos... Super recomendo a leitura!

PS: A autora Clara Savelli estava a procura de blogueiros para resenhar seu livro antes do lançamento e portanto a Lili recebeu o pdf do mesmo para resenhar. O livro ainda não está à venda e quando soubermos a data, atualizarei esse post com essa informação ;)

ATUALIZADO: Um lançamento 2 em 1! Dia 25 de Maio, às 15h, Aimee Oliveira e Clara Savelli estarão amorosamente esperando todos vocês para o lançamento do livro no Rio de Janeiro! Com a possibilidade de compra dos livros, autografados com muito carinho. Teremos também brindes e sorteios! Link para a página do evento no RJ, clique aqui.




Booktrailer 



Resenha: Extraordinário de R. J. Palácio

Título: Extraordinário
Autora: R. J. Palácio
Editora: Intrínseca
Ano: 2013
Gênero: Drama
Páginas: 320
Compare preços

Sinopse: August Pullman, o Auggie, nasceu com uma síndrome genética cuja sequela é uma severa deformidade facial, que lhe impôs diversas cirurgias e complicações médicas. Por isso ele nunca frequentou uma escola de verdade... até agora. Todo mundo sabe que é difícil ser um aluno novo, mais ainda quando se tem um rosto tão diferente. Prestes a começar o quinto ano em um colégio particular de Nova York, Auggie tem uma missão nada fácil pela frente: convencer os colegas de que, apesar da aparência incomum, ele é um menino igual a todos os outros.
Narrado da perspectiva de Auggie e também de seus familiares e amigos, com momentos comoventes e outros descontraídos, Extraordinário consegue captar o impacto que um menino pode causar na vida e no comportamento de todos, família, amigos e comunidade - um impacto forte, comovente e, sem dúvida nenhuma, extraordinariamente positivo, que vai tocar todo tipo de leitor.

Oie gente! Estou ansiosa, nervosa, emocionada, excitada, feliz, e tantos outros adjetivos que descreveriam minha emoção, mas que não caberiam aqui. E tudo isso, pois hoje, vim falar de um livro que pra mim, foi a melhor coisa que li ano passado, e sim, também uma das melhores leituras da minha vida! E X T R A O R D I N Á R I O de R. J. Palácio. Em primeiro lugar, gostaria de agradecer imensamente, a autora, Palácio muito, muito, muito obrigada.

Ao contrário do que aconteceu com muitos amigos e conhecidos meus, que leram muitas resenhas, propagandas, e acompanharam todo o burburinho do livro na blogosfera, no meu caso, fui contra a maré... Estava eu, navegando nas "torturões" (pra quem não conhece o termo, existe no meu dicionário, é uma mistura de tortura+promoções) dos submarinos da vida, e dou de cara com essa capa interessante, daí, li a sinopse, e nem pensei, coloquei no carrinho. Mas o que aconteceu? Não veio! Sério! O sub entrou em contato depois, me dando crédito para a próxima compra e tal... E minha leitura foi adiada... até o meu aniversário, onde minha irmã linda que eu amo muito, me presenteou! Assim que ganhei, fiquei mais ainda curiosa, nunca tinha ouvido falar da autora, de qualquer outro livro dela ou que a mencionasse, e como os outros livros que eu tinha ganhado eu já tinha lido em e-book, resolvi ler primeiro o Extraordinário. E não foi nada, mas nada mesmo, do que eu imaginei que seria. Foi muito, mas muito melhor!


A história...

O August me prendeu nas primeiras páginas, de cara fiquei encantada com o "jeitinho Auggie de ser". Que menino incrível! Inteligente, sarcástico (na medida certa), educado, maduro para a sua idade (ele tem 10 anos, mas faz aniversário durante o livro...), sensível... E como as minhas emoções no início, também me faltaria espaço para falar do Auggie...

O livro é basicamente narrado sobre a perspectiva do Auggie, mas temos o privilégio de também ouvir a narração sob os pontos de vista da sua irmã Via, seus amigos da escola Summer e Jack, de Justin (namorado da Via) e Miranda (amiga de infância da Via e também do Auggie). E isso é o máximo, pois nos mostra realmente, que toda história tem várias faces... Literalmente!

Como diz na sinopse, o Auggie, nasceu com uma síndrome genética cuja sequela é uma severa deformidade facial, não sabemos em detalhes como é o rosto dele, mas no decorrer da leitura, temos uma ideia...
Sei que não sou um garoto de dez anos comum. Quer dizer, é claro que faço coisas comuns. Tomo sorvete. Ando de bicicleta. Jogo bola. Tenho um Xbox. Essas coisas me fazem ser comum. Por dentro. Mas sei que as crianças comuns não fazem outras crianças comuns saírem correndo e gritando do parquinho. Sei que os outros não ficam encarando as crianças comuns aonde quer que elas vão. Se eu encontrasse uma lâmpada mágica e pudesse fazer um desejo, pediria para ter um rosto comum, em que ninguém nunca prestasse atenção. Não vou descrever minha aparência. Não importa o que você esteja pensando, porque provavelmente é pior.
Devido a essa condição, ele sempre estudou em casa, mas então, seus pais sugerem que ele inicie a vida escolar em uma escola de verdade, uma escola comum. Ele, é claro, fica assustado, receoso no início, mas seus pais prometem, que ele pode abandonar a escola, se surgir algo, se ele tiver um bom motivo pra isso. E com essa "promessa", ele dá esse passo... E aí "começa" a jornada do Auggie (socialmente falando...). Ele terá que enfrentar pessoas novas, adultos, crianças da mesma idade, muitas delas... E com isso, olhares, julgamentos... Nada fácil não é?!
Acho que é como o Toque do Queijo, do livro Diário de um banana. As crianças tinham medo de encostar em uma fatia de queijo mofado na quadra de basquete. Na minha escola, eu sou o queijo mofado.

O que eu amei...

Eu amei, que Palácio conseguiu transmitir sua mensagem, mas sem ares de "lição de moral", ao contrário, é de uma maneira leve, divertida, engraçada, tocante...

O livro fala de preconceito, não só do preconceito com um rosto "deformado", mas o preconceito em geral, sem ser clichê, ou piegas (fiquem tranquilos não é nada de auto ajuda). Te faz pensar sobre o assunto, e você o faz sem saber que está fazendo. Sem eu perceber, ele me fez refletir em tantos aspectos da minha vida, e também em situações já vividas, principalmente quando eu li os pontos de vista dos outros personagens (a família e os amigos dele), foi esclarecedor e enriquecedor em medidas iguais...

O Auggie, na escola, vive o início de uma jornada, que pra qualquer criança "comum", já é complicado, imagina uma criança na "condição" dele... O mais incrível em tudo isso, é que mesmo na sua condição, ele nos mostra o valor de coisas, de sentimentos, que muitas pessoas esquecem ou já esqueceram há tempos, gentileza é a maior delas...
Preceito de setembro do Sr. Browne:"Quando tiver que escolher entre estar certo e ser gentil, escolha ser gentil."
Essa frase é do Sr. Browne, o professor de inglês do Auggie. No início do ano letivo, ele propôs aos alunos, todo mês, escolher um preceito, pode ser uma frase famosa, ou uma frase autoral... Achei um plus a mais na história do Auggie! Amei o Sr. Browne! E as frases dos alunos? Perfeitas!

O que mais me surpreendeu e ao mesmo tempo me cativou no August, além da sua força, sua inocência, foi a sua autoconsciência sobre si mesmo. Sim! Ele sabe exatamente COMO é. Mas isso, não muda QUEM ele é!
...deveríamos ser lembrados pelas coisas que fazemos. Elas importam mais que tudo. Mais do que aquilo que dizemos ou do que nossa aparência. As coisas que fazemos sobrevivem a nós...
Extraordinário, me fez rir, sofrer, chorar, me comover, me revoltar... Junto com a família e os amigos do Auggie, e é claro, com ele próprio! August é tão "normal", que se não fosse pela maneira como as pessoas o tratam, nunca saberia que ele tem alguma coisa (fisicamente falando). Percebemos isso com mais clareza quando a narração está nas mãos de outra pessoa... Ainda assim, é impossível não se apaixonar pelo Auggie...
"Grande é aquele cuja força conquista mais corações pela atração do próprio coração"
Esse é o Auggie! Um imã de energias positivas... A amizade verdadeira, evidente em poucas palavras... Um menino que só queria ser "normal"... Entretanto ele ainda não sabia, que pessoas extraordinárias, nunca seriam pessoas "normais"...
"você é mesmo extraordinário, Auggie. Você é extraordinário."

Melhor quote...
"Toda pessoa deveria ser aplaudida de pé pelo menos uma vez na vida, porque todos nós vencemos o mundo. (Auggie)"


Beijo, beijo,