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Resenha: As Crônicas de Bane de Cassandra Clare, Maureen Johnson e Sarah Rees Brennan

Título: As Crônicas de Bane 
Autoras: Cassandra Clare, Maureen Johnson e Sarah Rees Brennan 
Editora: Galera Record
Gênero: Sobrenatural, Contos, Fantasia, Young Adult
Ano: 2014
Páginas: 392
Sinopse: Nesta edição ilustrada, são narradas as mais diversas aventuras do feiticeiro imortal Magnus Bane, das aclamada séries de Cassandra Clare. Entre escapadas no Peru e resgates reais na Revolução Francesa, acompanhe fragmentos da vida do enigmático mago ocorridos em diversos países e períodos históricos, com aparições de figuras conhecidas como Clary, Tessa, Will e Alec, personagens de Os Instrumentos Mortais e As Peças Infernais.

Magnus Bane sempre foi um dos meus personagens preferidos da Cassandra Clare, seja em Os Instrumentos Mortais ou As Peças Infernais. Ele tem uma personalidade única, peculiar e sua excentricidade chama a atenção. É difícil não gostar dele. Então, eu adorei saber que ela nos contaria mais sobre ele. As Crônicas de Bane conta várias histórias. Dez foram lançadas em formato digital, que agora sai na versão física com 11 contos. 


Em As Crônicas de Bane vamos conhecendo histórias de vários momentos e épocas diferentes da vida do feiticeiro mais amado no mundo criado por Cassandra Clare: Magnus Bane, o Alto Feiticeiro do Brooklyn. Os contos não foram escritos apenas por Cassandra Clare e quem está acostumado com a escrita da autora, percebe que há contos ou momentos que não é ela que escreve.

Nem todos os contos foram muito bons pra mim, eu já imaginava isso. Os que eu mais gostei foram os relacionados com os livros das séries Os Instrumentos Mortais e As Peças Infernais, é claro, afinal revemos personagens que gostamos ou conhecemos mais um pouco sobre eles. Descobrimos também como começou alguns relacionamentos do Magnus com outros personagens que já conhecemos. 

Como são vários contos independentes, não há muito que falar do enredo. Alguns contém algum spoiler para quem não finalizou as séries. Eu queria comentar mais sobre alguns personagens que aparecem e algumas situações, mas vou me limitar, pois acabaria falando de coisas que vocês podem ainda não saber. 


Quanto à diagramação, ele segue o mesmo estilo dos livros das séries, a letra num bom tamanho para leitura, o papel lux cream de 70 g/m² deixa o livro, apesar de grosso com sua quase 400 páginas, mais leve. A capa com holografia ficou linda. O modelo da capa me lembra do ator que interpretou Magnus no filme Cidade dos Ossos, mas não descobri quem é o modelo que a estampa. A cada capítulo há ilustrações como se fossem uma página de um quadrinho ou mangá, como podem ver na foto acima.


Recomendo para todos que gostam do Magnus, ou para aqueles que curtiram qualquer um dos livros ou série dos Caçadores de Sombras. Quem ainda não começou nenhum deles, deixe esse livro para o fim se não quiser saber spoiler. É um complemento muito bom para quem curte esse mundo. Agora é esperar pra ver se teremos mais Magnus Bane pela frente, porque livros sobre os Caçadores de Sombras é que não vai faltar no currículo de Cassandra Clare.

Resenha: O Que Restou de Mim de Kat Zhang

Título: O Que Restou de Mim
Série: As Crônicas Híbridas #01
Autora: Kat Zhang
Editora: Galera Record
Gênero: Young Adult, Distopia, Fantasia
Ano: 2014
Páginas: 320
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Sinopse: Addie e Eva são híbridas – duas almas no mesmo corpo. Em sua realidade, todos nascem assim – mas, ainda na infância, uma das almas torna-se dominante. Mas isso nunca acontecia com as duas. Considerados instáveis e perigosos, os híbridos foram perseguidos e eliminados das Américas. E quando o segredo delas é ameaçado, Eva e Addie descobrirão da pior forma que há muito mais sobre os híbridos do que os noticiários de TV e os livros de história contam.

O Que restou de Mim se passa em um mundo onde as pessoas nascem com duas almas e ainda em criança devem passar pela “definição” de qual é a alma dominante e qual a recessiva. Dentre elas, apenas a dominante é que poderá restar naquele corpo, enquanto a recessiva deverá desaparecer para sempre. Quando isso não acontece, a pessoa se torna híbrida, o que nessa sociedade é considerado instável e perigoso e por isso são perseguidos e sabe-se lá às consequências para aqueles que são descobertos.

Quanto mais minha força diminuía, mais ferozmente eu lutava para ficar, avançando de todas as maneiras que podia, tentando convencer a mim mesma de que não desapareceria. Addie me odiava por isso. Eu não conseguia evitar. Lembrava da liberdade que costumava ter; nunca de forma completa, é claro, mas me lembrava de quando eu podia pedir nossa mãe um copo d’água, um beijo quando caíamos, um abraço. 

Eva e Addie nasceram no mesmo corpo, mas de alguma forma não conseguem se definir. Durante anos, médicos e especialistas tentaram tratamentos para que a alma dominante finalmente tomasse conta daquele corpo. Até que elas chegam próximas da adolescência e todos acreditam que Addie é a única alma que restou e que Eva não mais existe, mas elas escondem de todos a verdade: Eva ainda está ali, mesmo que não possa mais ter controle do corpo como Addie e ninguém pode descobrir que elas se tornaram híbridas, porque as consequências podem ser fatais.

Ficamos observando o carro se afastar.
Fuja. A palavra reverberava dentro de nós.
Eu sempre vou me perguntar o que teria acontecido se o tivéssemos ouvido. 

Esse foi mais um livro que foi uma montanha russa de emoções pra mim. No inicio gostava das protagonistas, mas aos poucos fui chegando a conclusão que gostava mais de Eva. Só que chegou a um ponto que Eva fez algo que me irritou bastante e fiquei sem saber se realmente gostava de uma delas. Sabe quando acontece algo que para o leitor fica óbvio de cara, mas o personagem não consegue enxergar isso e faz uma grande besteira? Pois é. Mas, ainda bem que ao longo do livro elas foram evoluindo e se tornaram personagens que já não me irritavam mais. Quanto aos personagens secundários, eu gostei de praticamente todos que apareceram. Ao longo da história, conhecemos vários outros híbridos. Ryan é meu preferido. 

A diagramação é simples, mas há momentos no texto, como por exemplo, quando Eva e Addie conversam (em forma de pensamento) em que a fonte do texto muda para diferenciar. A narração é sob o ponto de vista de Eva. Fiquei muito feliz que a Galera manteve a capa original que é linda e combina perfeitamente, fazendo uma mesca de dois rostos, um como se fosse o contorno de perfil e o que vemos de frente. As capas dos três livros (todos já lançados no exterior) vocês podem ver abaixo. 


Tem um tiquinho de nada de romance, que acredito que pode ser mais explorado nos próximos livros, mas definitivamente não foi o foco desse. É interessante vermos que as duas, sendo uma só, são como melhores amigas e têm seus momentos de briguinhas. Mas o legal é que apesar de às vezes quererem coisas diferentes, as duas não pensam apenas em si própria, mas nelas como um tudo. Há momentos em que inicialmente possam ter algum pensamento egoísta, mas no fim das contas percebem que o que acontece com uma, afeta a outra.

Meu controle motor desapareceu, sim, mas eu fiquei, presa em nossa cabeça. Observando, ouvindo, porém paralisada. Ninguém além de Addie e de mim tinha conhecimento disso, e ela não contaria. Nessa época sabíamos o que esperava as crianças que nunca se definiam, que se tornavam híbridas. Nossa cabeça estava cheia de imagens das instituições onde elas eram amontoadas e de onde nunca mais voltavam. 

Livros com a temática distópica, costumam sempre abordar tramas cheias de segredos e esse não é diferente. Ao longo da história, vamos juntos com os personagens descobrindo alguns e ficando novas perguntas no ar. 

O enredo é bem interessante e diferente da maioria dos livros do gênero. O final não tem uma reviravolta que nos deixe desesperados pela continuação, mas deixa perguntas sem respostas e situações para serem resolvidas. Eu esperava um pouco mais de ação, mas eu sempre espero isso quando um livro tem aspectos distópicos rs. Apesar de não ter tanta reviravolta ou ação como eu gostaria, gostei do livro, do enredo, dos personagens, pretendo ler as continuações e recomendo para quem curte o gênero.



Resenha: O Lado Mais Sombrio de A.G.Howard

Título: O Lado Mais Sombrio
Série: Splintered #1
Autora: A.G.Howard
Gênero: Fantasia, Romance
Ano: 2014
Páginas: 368
Sinopse: Alyssa Gardner ouve os pensamentos das plantas e animais. Por enquanto ela consegue esconder as alucinações, mas já conhece o seu destino: terminará num sanatório como sua mãe. A insanidade faz parte da família desde que a sua tataravó, Alice Liddell, falava a Lewis Carroll sobre os seus estranhos sonhos, inspirando-o a escrever o clássico Alice no País das Maravilhas. Mas talvez ela não seja louca. E talvez as histórias de Carroll não sejam tão fantasiosas quanto possam parecer. Para quebrar a maldição da loucura na família, Alyssa precisa entrar na toca do coelho e consertar alguns erros cometidos no País das Maravilhas, um lugar repleto de seres estranhos com intenções não reveladas. Alyssa leva consigo o seu amigo da vida real – o superprotetor Jeb –, mas, assim que a jornada começa, ela se vê dividida entre a sensatez deste e a magia perigosa e encantadora de Morfeu, o seu guia no País das Maravilhas. Ninguém é o que parece no País das Maravilhas. Nem mesmo Alyssa...

Alyssa é uma adolescente diferente. Ela é tataraneta de Alice, que inspirou as fantásticas histórias do País das Maravilhas de Lewis Carroll. Sua mãe, dada como louca, está internada há 11 anos e seu destino pode ser o mesmo, afinal ela ouve insetos e plantas falando desde criança. Mas quando descobre que sua família foi amaldiçoada e que para quebrar essa maldição ela deve encontrar a toca do coelho e entrar no País das Maravilhas, ela fará de tudo para salvar sua mãe e para ter uma vida normal.

Nada é o que parece no País das Maravilhas e nos vemos cercados de mistério, magia, criaturas abomináveis, romance... É uma lugar selvagem e bizarro. É um mundo sombrio e bem fantasioso, tanto que eu tentava imaginar algumas coisas e não conseguia, como criaturas, uma cena ou até mesmo a paisagem.


Claro que tem um triângulo amoroso e Alyssa terá que se decidir ao longo da trilogia com quem ficará. De um lado temos Jeb, o melhor amigo de Alyssa e por quem ela tem uma paixão secreta há alguns anos. Jeb é muito protetor e um ótimo amigo, mas tem uma namorada (patricinha e nojenta) e por isso Alyssa tenta se afastar. De outro lado temos Morfeu, um ser mágico do País das Maravilhas com quem tem uma conexão desde nova. Ele aspira mistério e perigo, o que pode acabar se tornando irresistível pra ela. 

"Tapo a minha boca para abafar um grito ou riso histérico. Poderia ser qualquer um dos dois a esta altura. Estou começando a apreciar a loucura. Isso não é bom. Não mesmo."

Meus problemas com o livro foram basicamente três: primeiro, eu não gostei nada do Morfeu, que tem um grande papel na história. Pelo que eu vi ele é amado pela maioria dos leitores e eu sou do contra. Segundo, a leitura foi muito devagar pra mim, levei uma semana pra ler, não sei exatamente o que me fez ler tão devagar, porque eu estava gostando, mas ainda assim, demorei pra ler. E meu terceiro problema foi Alyssa. Gostei dela no início, mas depois que entra no País das Maravilhas, ela muda muito, devido a Morfeu, que é um manipulador nato e isso me incomodou. Ela é facilmente influenciada e manipulada e personagens assim me irritam muito.

A narrativa é sob o ponto de vista de Alyssa. A diagramação está fofa, com ornamentações nas páginas e no início de cada capítulo. As capas dos três livros são belíssimas e ainda bem que a editora as manteve igual a original. A capa combina muito bem com a história. 


Após finalizar a leitura eu não entendi porque o livro tem continuação porque ele acaba bem, tem um final e poderia parar bem ali. Não senti a necessidade de continuações. Além disso, não me animei com elas. E como o segundo provavelmente vai focar em Morfeu, já que ele estampa a capa, me animei ainda menos, já que não gostei do personagem. Não sei se continuarei a série. Pra mim, acabou bem do jeito que acabou. Eu recomendo para todos que gostem do gênero e que curtam Alice no País das Maravilhas. Eu tive alguns problemas com a leitura, mas muitos estão amando.




Resenha: Cinder de Marissa Meyer

Título: Cinder
Autora: Marissa Meyer
Editora: Rocco
Gênero: Fantasia, Ficção Científica, Reconto, Young Adult
Ano: 2013
Páginas: 448
Sinopse: Num mundo dividido entre humanos e ciborgues, Cinder é uma cidadã de segunda classe. Com um passado misterioso, esta princesa criada como gata borralheira vive humilhada pela sua madrasta e é considerada culpada pela doença de sua meia-irmã. Mas quando seu caminho se cruza com o do charmoso príncipe Kai, ela acaba se vendo no meio de uma batalha intergaláctica, e de um romance proibido, neste misto de conto de fadas com ficção distópica. Primeiro volume da série As Crônicas Lunares, Cinder une elementos clássicos e ação eletrizante, num universo futurístico primorosamente construído.

Em um mundo futurístico, Cinder é uma humana/android de 16 anos. Ela é a mecânica mais reconhecida de Nova Pequim, mas suas peculiaridades fazem as pessoas se afastarem. Ela vive com sua madrasta e duas meias-irmãs. Peony é sua única amiga e boa com ela, mas Pearl, junto com a madrasta, não gosta dela. Num dia comum de trabalho ela recebe a visita do príncipe Kai para que conserte um ciborg antes do baile anual, onde há boatos de que o príncipe está em busca de uma noiva, mas antes de conseguir consertar o ciborg, algo inesperado acontece. 

Sua irmã Peony é infectada por um vírus que ainda não possui cura e está matando a todos que são infectados. Assim, sua madrasta a envia como "voluntária" a cobaia para a busca da cura, onde até agora ninguém sobreviveu. Ao começarem os testes com ela, os pesquisadores descobrem que ela é diferente de tudo que conhecem e que o motivo é algo pelo qual existam pessoas dispostas a matar para conseguir. 
Na parte inferior da tela surgiu uma informação: TAXA: 36%.
Ela era 36,8% inumana.
Nesse mundo criado por Marissa Meyer existem os seres lunares, que vivem na lua, são manipuladores e possuem um poder de controlar a mente dos humanos. Sua rainha atual, Levana, quer uma aliança com a Terra, através de um casamento com o príncipe Kai, em troca de não começar uma guerra contra eles. Ela é má, ditadora e manipula as pessoas a seu redor. A possível aliança que pode formar com Kai faria com que os humanos tivessem que se submeter a sua ditadura e maldade e a não aliança levaria a uma guerra, ou seja, de um jeito ou de outro as coisas não são boas para os terráqueos. Kai terá que decidir seu futuro e o de sua nação em breve, pois a rainha Levana chega a Terra querendo sua resposta. 
[...] Lunares eram pessoas cruéis e selvagens. Eles matavam suas crianças que nasciam sem o dom. Mentiam, trapaceavam e faziam lavagem cerebral uns nos outros porque podiam. Não se importavam com o mal que fariam, desde que fossem beneficiados.
A narração é feita em terceira pessoa, mas não somente sobre a visão de Cinder. Achei a linguagem um pouco complicada e a leitura não fluiu muito bem comigo, apesar da história estar interessante. Demorei a me acostumar com a narrativa, mas a história foi ficando melhor ao passar das páginas e isso ajudou muito. O acabamento do meu livro não foi bom, pois com apenas uma leitura as páginas pareciam que iriam descolar (não ia dizer não, mas meus livros da editora tem essa tendência  a descolar #ProntoFalei). Fiquei traumatizada depois de acontecer isso com meu livro preferido Jogos Vorazes (sorte que sou fã enlouquecida e coleciono em inglês, além de ter o box em português de "lembrança", porque gosto mesmo é de ler no original).

Cinder é uma personagem interessante, gostei de sua personalidade. Kai foi quem eu mais gostei. O pouco relacionamento que eles têm um com o outro foi uma das partes mais legais da história, porque era fofo e eu ficava torcendo por eles. 

Achei algumas coisas previsíveis e descobri as revelações finais já no início do livro, mas isso não tirou a graça da história que começou a me conquistar mesmo já quase na metade devido a narrativa que me cansou um pouco. O final deixa pontas soltas para a continuação, chamada Scarlet, onde além de Cinder temos uma nova protagonista.

Cinder foi uma versão voltada para Cinderela e Scarlet uma versão voltada para a história da Chapeuzinho Vermelho. Há ainda um terceiro livro, Cress, com Rapunzel e o quarto e último Winter (2015 no exterior) com Branca de Neve. Todos eles envolvem a personagem do primeiro livro Cinder. Além dos livros há 3 contos que se passam entre um livro e outro. 

Apesar das dificuldades iniciais com a leitura e a má qualidade da cola nas páginas, eu adorei a história e estou ansiosa pela continuação (que eu tenho em inglês). Foi interessante a mistura de conto de fadas, ciborgues, elementos distópicos e pós-guerra na história. Recomendo para quem gosta do gênero, de contos de fadas reescritos, e tudo mais que citei!






Resenha: Coroa da Meia-Noite de Sarah J. Maas

Título: Coroa da Meia-Noite 
Série: Trono de Vidro
Autora: Sarah J. Maas
Editora: Galera Record
Gênero: Alta Fantasia, Romance
Ano: 2014
Páginas: 406
Sinopse: Celaena Sardothien, a melhor assassina de Adarlan, tornou-se a assassina real depois de vencer a competição do rei e se livrar da escravidão das Minas de Sal de Endovier. Mas sua lealdade nunca esteve com a coroa. Tudo o que deseja é ser livre — e fazer justiça. Nos arredores do castelo, surgem rumores a respeito de uma conspiração contra misteriosos planos do rei, mas antes de cuidar dos traidores, Celaena quer descobrir exatamente que planos são esses. O que ela não imaginava é que acabaria em meio a uma perigosa trama de segredos e traições tecida ao redor da coroa. Enquanto a amizade entre ela e o capitão Westfall cresce cada vez mais, o príncipe Dorian se afasta, imerso em seus próprios dilemas e descobertas. A princesa Nehemia acaba se tornando uma conselheira e confidente, mas sua atenção está mais voltada para outros assuntos. Em Adarlan, um segredo parece se esconder por trás de cada porta trancada, e Celaena está determinada a desvendar todos eles para proteger aqueles que aprendeu a amar. Mas o tempo é curto, e as ameaças ao redor castelo de vidro estão cada vez mais próximas. Quando menos se espera, uma trágica noite mudará a vida de todos no reino, e mais do que nunca Celaena quer descobrir a verdade para fazer justiça.

Pode conter spoiler do livro anterior!

No volume anterior Celaena lutou contra vários adversários para conseguir a posição atual de assassina do Rei, não porque ela quer essa “profissão”, mas porque ela depende disso para conseguir sua liberdade. Apesar de odiar o Rei, que é um tirano perverso, ela agora tem que matar uma lista de pessoas que o Rei acredita que está tramando contra si. Ele tem um plano para conquistar todo o Reino, mas Celaena também tem os seus e por isso, corre um grande risco caso seja descoberta.
"- Por que está chorando?
- Porque - sussurrou Celaena, a voz falhando - você me lembra de como o mundo deveria ser. De como o mundo pode ser."
A série Trono de Vidro mistura fantasia em um mundo que me lembrou um pouco da “Terra Média” dos filmes de O Senhor dos Anéis. Apesar de ser jovem, agora com 18 anos, Celaena é uma guerreira e a mais temida assassina de Adarlan. Antes escrava nas minas de sal, ela foi liberta e vai buscar vingança. Ela é órfã desde menina e sofreu de todas as formas possíveis. A personagem cresceu de um livro para o outro, amadureceu e vemos seu lado mais sombrio em vários momentos. 
[...] Parte de Celaena se perguntava se a verdade que desvendasse sobre aquele movimento rebelde e sobre os planos do rei a destruiria. E não apenas ela - mas também tudo que ela havia passado a gostar.
Fui surpreendida diversas vezes durante a leitura, vários segredos importantes foram revelados, novos inimigos surgiram e uma força muito grande está prestes a tomar conta do Reino causando grande destruição. A metade inicial do livro é um pouco mais lenta, mas na metade tem uma reviravolta que muda o rumo de tudo e a coisa fica feia.

O livro não tem a mesma ação inicial que o primeiro, é um pouco mais calmo, mas nem por isso deixa de ser interessante. As intrigas e segredos que percorrem durante toda a história, me prenderam na leitura e me fizeram criar teorias sobre quais seriam esses mistérios que rondam o rei e tudo mais. Tem intriga, mortes, mistérios, romance, segredos, magia, violência e muito mais. 
O príncipe sentiu o estômago revirar, não apenas por causa da cabeça decepada e das roupas endurecidas com sangue de Celaena, mas também pelo fato de que não conseguia, pela própria vida, encontrar a garota que amara em qualquer parte do rosto dela. E pela expressão de Chaol, Dorian sabia que o amigo sentia o mesmo. 
O príncipe Dorian não tem tanto destaque no início do livro. Em compensação Chaol ganha mais destaque (uhuuuu adorooooo). O livro não tem como foco o romance, mas é uma das coisas que eu mais gosto na história, principalmente nesse segundo volume. Muita das vezes o que me prende numa leitura não é o romance de fato concretizado, mas sim aquela sutileza que faz muita das vezes os personagens não percebem o que um sente pelo outro, essa descoberta, o amor proibido... aiai, só sei que me vi suspirando em alguns momentos rs. Tem o possível triângulo amoroso desde o primeiro livro e eu sou #TeamChaol.
[...] O limite entre ele e Celaena existia por um motivo. Atravessá-lo colocaria em xeque sua lealdade ao rei que estava diante dele - sem falar no modo como isso impactaria a amizade entre o capitão e Dorian. 
Desde o primeiro livro eu adoro o Capitão da Guarda, que iniciou sério, focado e até arrogante, mas que aos poucos foi se afeiçoando a Celaena e perdendo esse jeitão. Agora eles se tornam bons amigos, confiam um no outro e é claro, Chaol se apaixona por ela. Já o Príncipe Herdeiro Dorian, com quem Celaena teve um breve romance no primeiro livro, se afastou depois que ela deu um fim no “caso” deles e agora está mais distante que nunca, até porque começa a se preocupar mais com os afazeres de príncipe. Ele ainda gosta dela, mas começa a perceber que ela e Chaol se aproximaram mais do que ele deseja. 

A diagramação segue a do livro anterior. E mais uma vez a capa traz a guerreira Celaena, dessa vez em um traje preto, capa vermelha e duas espadas, numa posição de luta. Na contracapa podemos ver a personagem de costas em um vestido vermelho com renda preta e com suas espadas (ela o usa na história). Também veio o mapa de Erilea (na imagem eu peguei ele em inglês só para exemplificar). Só fiquei chateada porque no livro anterior vinha o marcador para ser destacado e nesse volume não veio :(


Gostei bastante desse volume, mais do que o primeiro. Algo que eu torcia aconteceu, além de revelarem vários segredos importantes e que respondem algumas questões que ficaram do livro anterior. Recomendo para quem gosta desse gênero de leitura, quem busca aventura, High Fantasy, magia, romance... 

PS: Alta Fantasia (High Fantasy) para quem não sabe é um subgênero da fantasia que envolve livros que descrevem um mundo totalmente novo, abusando de elementos como a coragem e a força de seus personagens, narrando sobre uma grande batalha que põe em risco o mundo literário criado e fazendo uso de elementos éticos e políticos existentes entre os extremos de ‘bem versus mal’. Desenvolvem-se em mundos completamente fictícios, alguns paralelos ao nosso próprio, onde o poder da magia é grande e a tudo permeia. Exemplos desse gênero são os livros do Tolkien e George R. R. Martin.






Resenha: Medo de Michael Grant

Título: Medo
Série: Gone #5
Autor: Michael Grant
Editora: Galera Record
Gênero: Young Adult, Ficção Científica, Sobrenatural, Terror
Ano: 2014
Páginas: 448
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Sinopse: Já faz mais de um ano desde que todos os adultos simplesmente desapareceram. E apesar das mentiras, da praga e da fome que assolaram as crianças de Praia Perdida, de alguma forma elas foram capazes de sobreviver. No entanto, dessa vez as ameaças são ainda mais aterrorizantes do que antes. Dentro de LGAR, a Escuridão começa a dominar, e a luz do sol fica cada vez mais escassa. No escuro, enxergar torna-se impossível, assim como plantar e colher alimentos. O pânico e a ameaça da fome levam os moradores à beira da loucura.

Quatro meses se passaram desde o último livro e tudo parece estar em paz, mas é claro que num no mundo criado por Michael Grant, paz não é uma palavra recorrente e ela está prestes a acabar. Evitei ao máximo falar qualquer spoiler para quem não leu os últimos, já que esse é o 5º livro.

Ninguém com mais de 5 anos estava desarmado. Havia facas, facões, bastões de beisebol, cassetetes com grandes pregos atravessados, correntes e armas de fogo.

Há mais de um ano todos os adultos sumiram, ficando somente as crianças e adolescentes de até 14 anos no que elas chamaram de LGAR (Lugar da Galera da Área Radioativa). Depois de tudo que eles passaram, agora eles estão divididos em dois grupos: um na Praia Perdida e outro no Lago Tramonto, cada um liderado por alguém. Tudo está tranquilo nos últimos meses, mas a verdade é que não dá pra ficar totalmente despreocupado quando há a possibilidade de a Escuridão e Drake estarem vivos em algum lugar, só esperando para atacar. 
Merecia o inferno. E tinha a suspeita terrível de que o bebê dentro dela era o demônio enviado para leva-la até lá.

Além disso, quase todos humanos e criaturas vivas sofreram algum tipo de mutação e algumas das crianças tem poderes, desde mover coisas com a mente à super velocidade. Os animais também mudaram e alguns são terríveis, vemos desde cobras voadoras à insetos que comem os humanos de dentro para fora. Eles mais uma vez vão enfrentar vários problemas. E agora uma das meninas está grávida, só que o bebê está crescendo mais rápido do que supostamente devia e é certo que tenha poderes que parecem ficar mais forte com o tempo.

- Escuridão completa - disse Sam, para ouvir, para ver se conseguia aceitar. - Nada vai crescer. Não vamos poder pescar. Vamos... vamos vaguear no escuro até morrer de fome. As crianças vão deduzir isso. Vão entrar em pânico.
- Talvez a mancha pare.
Mas Sam não estava escutando.
- É o fim do jogo.

Após a parede que os cerca começar a mudar e escurecer, o pânico começa a invadir e o medo a tomar conta de todos. Como se não bastasse todos os problemas que enfrentaram, que estão enfrentando e os inimigos já conhecidos, um novo inimigo (completamente psicopata) com um grande poder, está surgindo e ele quer vingança contra aqueles que o ignoraram.

[...] Você sente o que essa escuridão faz com a gente? O modo como ela nos enclausura? De repente o pessoal percebe que está num grande aquário redondo. Medo do escuro, medo de estar trancado. A maioria vai ficar bem durante um tempo, mas o problema não é a “maioria”. São os elos mais fracos. Aqueles que já estão no limite.

A narração continua a mesma, sob a visão de vários personagens e isso não é confuso, na verdade é ótimo, porque uma história assim pede esse tipo de narrativa para sabermos o que acontece em todo canto. A única coisa que não entendi foi a capa nacional, que achei belíssima (prefiro as nacionais do que as originais sem graça), porque nos quatro livros anteriores a capa fez sentido pra mim, mas nessa há três criaturas das quais eu não consegui identificar na história. No máximo, os que parecem lobos, poderiam ser os coiotes (que falam e comem humanos), mas a do meio que mais parece um lobisomem ou algo do tipo eu não identifiquei. 

Algo que achei bem interessante é que haviam capítulos que mostravam o lado de fora do LGAR, da redoma/cúpula que prendia as crianças do lado de dentro e pudemos saber mais sobre o que acontecia do lado de fora. As pessoas sabiam que havia uma redoma ali? Alguém estava tentando fazer alguma coisa? Onde estavam os adultos que sumiram no dia que a redoma cercou Praia Perdida? O que acontecia com as crianças que completavam 15 anos e sumiam? Temos algumas dessas respostas e parece que teremos muito mais no último livro da série. 

A série Gone é aquele tipo de série que quando você acha que não pode mais ser surpreendido, você acaba sendo. O título faz jus a história. Claro que medo é algo que todos sentem desde o início de tudo, mas o MEDO com que se deparam nesse livro é mais horripilante.

[...] Drake não era Caine. Caine era um sociopata sem coração, implacável, que faria qualquer coisa para aumentar seu poder. Mas Caine não se jubilava com a dor, a violência e o medo. Por mais que fosse amoral, Caine era racional.

É incrível como o autor conseguiu fazer crianças, tão cruéis, maldosas, psicopatas, insanas e nesse livro (e em todos da série) eu fiquei apavorada com algumas coisas das quais elas eram capazes. Todo livro foi uma surpresa e nesse eu ficava esperando algo de bom acontecer (no sentido de o bem superar o mal), mas as coisas só desandavam e posso resumir tudo em uma palavra: CAOS! 

Mais um ótimo livro da série Gone e eu quero o último livro, Light (Luz) pra ontemmmm! Preciso desesperadamente saber como acaba essa história. O final foi WOW... PRECISO DO PRÓXIMO! Eu definitivamente recomendo a série para aqueles que como eu, amam coisas horripilantes, que tem estômago forte, que não tem problema com violência de todo tipo ou que não se assustam facilmente. Não é um livro para todo o público. A série Gone é sombria, pois envolve crianças tentando sobreviver, crianças matando crianças, crianças bebendo ou se drogando pra esquecer a vida sofrida que estão vivendo e muito mais. 

Eu tive alguns problemas ao longo da leitura, nem tudo foi perfeito, havia momentos que eu queria que a coisa seguisse e tinha um pouco de enrolação, pelo menos pra mim, que estava ansiando ação, ação e mais ação! Mas é uma série fantástica, que aprendi a amar desde o primeiro livro e acho que apesar de 6 livros no total, vale muito a pena ser lida. 



Resenhas dos anteriores:
  1. Gone (resenha da Renata - que criou o blog)
  2. Fome
  3. Mentiras
  4. Praga





Resenha: Desafio de C.J. Redwine

Título: Desafio (Defiance #1)
Autora: C.J. Redwine
Editora: Novo Conceito
Gênero: Fantasia
Ano: 2014
Páginas: 368
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Sinopse: No interior das muralhas de Baalboden, à sombra do brutal Comandante da cidade, Rachel Adams guarda um segredo. Enquanto as outras garotas fazem vestidos e obedecem a seus Protetores, Rachel é capaz de sobreviver nas florestas e de manejar uma espada com destreza. Quando seu pai, Jared, é declarado morto em uma missão, o Comandante designa para Rachel um novo Protetor: Logan, o aprendiz de seu pai, o mesmo rapaz a quem Rachel declarou o seu amor há dois anos, e o mesmo que a rejeitou. Com nada além da forte convicção de que seu pai está vivo, Rachel decide fugir e encontrá-lo por conta própria. Mas uma traição contra o Comandante tem um preço alto, e o destino que a aguarda nas Terras Ermas pode destruí-la.

Quando o pai de Rachel não volta a Baalboden após uma missão, ele é dado como morto e a guarda de Rachel é entregue em testamento ao aprendiz de seu pai, Logan. Há dois anos, quando fazia seu 15º aniversário, ela se declarou a ele, que a rejeitou e desde então, ela faz de tudo para ignorá-lo. Com a certeza de que seu pai ainda está vivo e provavelmente em perigo fora das muralhas de Baalboden, ela acaba fugindo atrás dele e Logan, como um bom Protetor, vai junto. Eles acabam sendo descobertos, Logan é preso e ela é obrigada a partir em uma missão para o Comandante nas Terras Ermas, um lugar que abriga uma criatura terrível apelidada de “O Maldito”. Os dois terão que correr atrás de sua sobrevivência e arrumar um jeito de se encontrarem ao mesmo tempo em que buscam vingança contra o Comandante.



Logan tem 19 anos e tudo o que desejava era aperfeiçoar seus conhecimentos para se livrar da tirania do Comandante. Ele é órfão e rebelde, mas foi acolhido quando morava nas ruas por Jared, pai de Rachel e por isso tem de largar tudo o que desejava para cuidar e proteger Rachel. Ele é um personagem forte, que perdeu a mãe de uma forma muito cruel a mando do comandante e desde então virou pária da cidade. É inteligente, inventor e sempre pensa antes de agir, calcula todas as possibilidades e visualiza tudo a sua frente, estando sempre prevenido, imaginando as situações possíveis que podem acontecer.

Já Rachel é o contrário, age antes de pensar, e isso me irritou em vários momentos. Ela tem seus atributos positivos, mas não foi uma personagem que me cativou. Ela está prestes a fazer 17 anos, é impulsiva, tem um gênio forte, é independente e dará muito trabalho para ele. O romance não me fez querer torcer horrores pelo casal, eu gostei, mas não fiquei empolgada como em outras leituras.


A narração é feita em primeira pessoa e dividida sob o ponto de vista de Rachel e Logan. A diagramação é simples, sem floreio, mas a formatação está muito boa, fonte, tamanho da letra e margens boas para leitura. Os capítulos são curtos e a divisão entre os personagens nos dão uma visão bem ampla de tudo que acontece. 

Desafio envolve fantasia, romance e aventura. Muitos dizem ser um livro distópico, eu discordo (pelo menos nesse primeiro volume). Há um ditador no comando, há pessoas que não gostam disso, mas nem por isso eu vi distopia nele. O Comandante é um tirano cruel que não mede esforços para conseguir o que deseja. Há momentos em que parece que estamos numa era medieval, as armas utilizadas são espadas, flechas, etc., mas ao mesmo tempo há uma tecnologia utilizada na história que me fez perder a crença na era medieval, não consegui me situar exatamente na época em que se passaria o livro. 

Gostei do livro, mas houve momentos em que me irritei com os personagens, principalmente Rachel, e também com a enrolação da história. Metade do livro se passa com os personagens tramando e se organizando em Baalboden e a metade final nas Terras Ermas. Talvez um pouco menos de texto e mais ação no início faria com que a leitura me fosse mais prazerosa, mas boa parte final do livro teve bastante ação e acontecimentos que me deixaram curiosa para saber mais sobre a história e o que vem a seguir. Para quem gosta de fantasia e romance, é uma boa pedida. Eu com certeza irei ler a sequência “Deception”, ainda sem previsão por aqui.




Resenha: Invisível de Andrea Cremer e David Levithan

Título: Invisível
Autores: Andrea Cremer e David Levithan 
Editora: Galera Record
Gênero: Ficção Estrangeira
Páginas: 322
Ano: 2014
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Sinopse: Stephen passou a vida do lado de fora, olhando para dentro. Amaldiçoado desde o nascimento, ele é invisível. Não apenas para si mesmo, mas para todos. Não sabe como é seu próprio rosto. Ele vaga por Nova York, em um esforço contínuo para não desaparecer completamente. Mas um milagre acontece, e ele se chama Elizabeth. Recém-chegada à cidade, a garota procura exatamente o que Stephen mais odeia. A possibilidade de passar despercebida, depois de sofrer com a rejeição dos amigos à orientação sexual do irmão. Perdida em pensamentos, Elizabeth não entende por que seu vizinho de apartamento não mexe um dedo quando ela derruba uma sacola de compras no chão. E Stephen não acredita no que está acontecendo... Ela o vê!

Pare um instante, feche os olhos, respire fundo e imagine. Imagine passar pela vida despercebido. Literalmente. Ao andar na rua, as pessoas não poderiam desviar de você, porque elas não lhe enxergariam. Da mesma forma elas não poderiam dar bom dia ou oferecer ajuda se você estivesse precisando. Escola, faculdade, um emprego, coisas aparentemente cotidianas, para você não passariam de sonhos distantes. Você não seria apenas esquecido, não, você simplesmente jamais teria existido. Ninguém se lembraria do seu sorriso, da sua forma única de ajeitar o cabelo ou da cor intensa dos seus olhos. Invisível. Essa palavra pesa e ecoa. Traz pensamentos sobre quando seu melhor amigo lhe ignorou ou aquela pessoa especial fingiu que você não estava ali, torcendo para que ela viesse dizer um oi. E dói. Ser invisível. Não significar nada. Sem possibilidade de mudança. Nunca.

Essa é a realidade de Stephen. Quando se encara no espelho, é como se ele não estivesse ali, só o que se reflete é o ambiente onde ele está. Ninguém pode lhe ver. Seu pai, sentindo que o peso daquela maldição era muito para seus ombros, simplesmente parte para viver com outra família. Após perder também a mãe, Stephen passa a vagar por Nova York, tentando ocupar seu tempo e conseguir para si o mínimo de normalidade que lhe é permitido. Em um dia vazio como qualquer outro, Stephen está retornando a sua casa, quando uma menina desconhecida, sua nova vizinha, tropeça nele e derruba suas sacolas. E o mais impressionante: Ela fala com ele. Naquele instante, ele acredita que finalmente a maldição que o aprisiona desde que nasceu esgotou-se, mas minutos depois, percebe que não, Elizabeth é a única a poder vê-lo. Por que será que ela e somente ela pode lhe ver? Stephen, Elizabeth e o doce Laurie, irmão da moça, veem, juntos, um novo mundo descortinar-se a sua frente. E terão que fazer escolhas e tomar decisões cruciais e difíceis para que tudo fique bem no final.
"Meus dias são muito parecidos uns com os outros. Acordo quando quero. E tomo banho, mesmo que seja difícil me sujar. Faço isso sobretudo para que possa me concentrar no fato de ter um corpo e, então, ter a sensação da água tocando minha pele."
Além da premissa, algo bem interessante nesse livro é o fato de ter sido escrito por dois autores, e o melhor, esses dois autores formam uma parceria brilhante. Os capítulos são apresentados um na visão de Stephen e o seguinte na de Elizabeth, assim sucessivamente, sempre em primeira pessoa. A escrita é extremamente envolvente, rebuscada e leve em proporções iguais, gerando assim um encaixe perfeito e principalmente, muito agradável. Simplesmente não dá vontade de parar de ler. A curiosidade e o envolvimento são grandes demais. 
"As pessoas dizem que o tempo escorre pelos dedos como areia. O que não reconhecem é que um pouco da areia gruda na pele. Essas são as lembranças que ficarão, memórias da época em que ainda havia tempo." 
Stephen é um personagem fantástico e complexo. E aqui parabenizo os autores, que souberam trabalhar o lado emocional da situação na medida certa para o leitor sentir e não achar dramático em demasia. Mas um personagem impressionante, divertido e realmente especial, que deu um tom descontraído e ao mesmo tempo doce a história foi Laurie, o irmão homossexual de Elizabeth. A forma que ele foi retratado foi perfeita. Levitan sempre procura mostrar em seus livros como é natural ter preferências diferentes das aceitas pela maioria da sociedade, e nesse não foi diferente. E posso dizer que ele mais uma vez teve sucesso. Laurie me cativou, com seu jeito franco, brincalhão e ao mesmo tempo protetor, terno, aberto e acolhedor. Elizabeth é forte, decidida e intensa.
"Depois de algum tempo, parei de me perguntar sobre os “por quês”. Parei de questionar os “comos”. Parei de notar os “o quês”. Permaneceu simplesmente minha vida, e eu simplesmente a conduzo. Sou como um fantasma que nunca morreu."
Essa é uma história surpreendente, que toma rumos difíceis de prever e tem a dose certa de romance. O final me deixou levemente insatisfeita, mas nada muito significativo. Bem fácil de superar. Creio que a complexidade do resto da trama mantém seu mérito.

Minha curiosidade por esse livro começou por já ter lido, e me encantado, por Todo dia, outro título de Levithan, dessa vez sozinho. Não me decepcionei. Ambos os livros são radicalmente diferentes, mas de certa forma parecidos, e me causaram o mesmo impacto e o mesmo tanto de reflexões.
"Tenho de aprender a ter consciência dela e consciência de mim ao mesmo tempo. Sou tão novato nessa coisa toda e desconfio profundamente de que isso seja o que as outras pessoas chamam de amor."
Me peguei pensando em tantas coisas ao decorrer dessa leitura. Refleti sobre as pessoas, suas atitudes, suas dificuldades. Discorri mentalmente sobre desafios, família, força, mas principalmente sobre amor. 

Invisível é uma história tocante, intensa e genial. Um enredo simples, transformado em páginas repletas de emoções, aventura, sentimentos e escolhas. Indicado a quem se deixará levar pela magia tão bem tecida por esses dois autores de talento ímpar.

*Sobre a capa: Ela é um pouco complicada de descrever. Tem seu fundo verde, título em amarelo, autores em branco e na metade de baixo vários traços amarelos, com exceção de um verde escuro ali entre eles. Pra mim, a capa representa que ele (seja um traço qualquer ou a representação do personagem) era o único diferente ali, no meio de tantos iguais, o único invisível. Não sei se foi realmente isso, mas foi assim que pude ver. (Andresa)



Resenha: Feitiço de Sarah Pinborough

Título: Feitiço
Série: Saga Encantadas #2
Autora: Sarah Pinborough
Editora: Única Editora
Gênero: Fantasia, Reconto
Ano: 2013
Páginas: 248
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Sinopse: Cuidado com o que você deseja! Para fãs de Once Upon a Time e Grimm, a série Encantadas prova que contos de fadas são para adultos! Você se lembra da história da Cinderela, com sua linda fada madrinha, suas irmãs feias e um príncipe encantado? Então esqueça essa história, pois nesta releitura de Sarah Pinborough ninguém é o que parece. Em um reino próximo, a realeza anuncia um baile que encontrará uma noiva para o príncipe e parece que o desejo de Cinderela irá ganhar aliados peculiares para ser realizado. Contudo, não será fácil: ela não é a aposta de sua família para esse casamento real, e sua fada madrinha precisa de um favorzinho em troca de transformar essa pobre coitada em uma diva real. Enquanto isso, parece que Lilith não está muito contente com os últimos acontecimentos e, ao mesmo tempo em que seu reino parece sucumbir ao frio, ela resolve usar sua magia para satisfazer suas vontades. Feitiço é o segundo volume da trilogia iniciada com Veneno, um best-seller inglês clássico e moderno ao mesmo tempo em que recria as personagens mais famosas dos irmãos Grimm com personalidade forte, uma queda por aventuras e, eventualmente, uma sina por encrencas. Princesas, rainhas, reis, caçadores e criaturas da floresta: não acredite na inocência de nenhum deles! Palavra da editora: Nada é o que parece no segundo volume da saga encantadas! Em Feitiço, Cinderela, com seu desejo desmensurado de fazer parte da realeza, fará qualquer coisa para obter atenção do príncipe. Mas seria mesmo este um final feliz? – Mariana Rolier

No segundo livro da Saga Encantadas, conhecemos a história de Cinderela. Nesse reconto, Cinderela vive com a madrasta Esme, seu pai e sua meia irmã Rose (a outra meia irmã Ivy se casou e já saiu de casa). Como no conto do qual estamos acostumados, ela vive como a “empregada” da casa, fazendo todas as tarefas enquanto Rose tem a atenção de Esme, que está preocupada em conseguir um marido para a filha. 
[...] E era caidinho por ela, que sabia disso, mas nunca o estimulou, por mais extraordinário que fosse. Ela queria mais da vida. Queria o que Ivy tinha, mas com um homem alto e boito. Ela desejava tanto isso, que chegava a doer. [Pág. 25/26]
O príncipe está a procura de sua futura esposa e assim dará um baile onde deverão comparecer todas as mulheres de idade apropriada do reino. E assim, Cinderela conhecerá sua fada madrinha, ganhará seu vestido e sapatinhos de cristal (que nesse caso seriam de diamantes), irá ao tão sonhado baile e dançará com o príncipe como sempre desejou. Mas será que o seu “felizes para sempre” será como ela sempre desejou? Será que o príncipe irá se apaixonar por ela? Será que as consequências do que ela fez irão assombrá-la? Mistério, romance, cenas um pouquinho picantes, intriga, mentiras e muito mais será encontrado nessa história. Ninguém é o que parece ser.
[...] Ela não tinha interesse pelo poder, só queria roupas bonitas, música e diversão. A vida tinha sido bem difícil nos últimos anos. [Pág. 32] 
A Cinderela criada nesse reconto é egoísta, mimada e invejosa, só pensa em ter roupas bonitas, um príncipe e morar no castelo, ou seja, ter uma vida boa. E assim, pensando só em si mesma, acaba não percebendo as consequências que seus atos têm nas pessoas a seu redor. Gostei mais de Rose, sua meia-irmã que parece ter mais cérebro que Cinderela e pensar nas coisas que realmente importam. 
[...] Sua vida ia ser tão ruim assim para sempre? Só trabalho, só ficar na sombra de Rose e de Ivy? A irmã de criação pobre? A plebeia? Talvez fosse como tinha de ser, mas ela só queria uma noite. Uma noite apenas em que se sentisse especial. [Pág. 63] 
Feitiço foi bem melhor do que Veneno em minha opinião. A história foi mais interessante e a Cinderela evoluiu até o final, começando bem mimada e se transformando aos poucos em algo diferente. Ao contrário da Branca de Neve (protagonista de Veneno), que achei bem chatinha. Personagens do livro anterior aparecem de alguma forma e novos entram na história. Como Robin Hood, que tem uma participação curta. 

A diagramação continua linda como no livro anterior. Com o texto bem espaçado das laterais, o que faz com que a leitura fique mais agradável sem ter que dobrar muito a capa. Os desenhos dentro de algumas páginas, o marcador de página junto da contra capa dá um toque especial (mas eu fiquei com pena de destacá-lo rs, sorte que a editora me enviou marcador do livro separadamente). Ah e é claro, a capa linda como em todos os livros da série. 

A leitura foi bem rápida, li no mesmo dia, mas apesar de ter gostado, ainda tiveram algumas coisas que me incomodaram e eu queria respostas melhores, fora que o epílogo foi completamente estranho e sem lógica pra mim. E por isso, dou a nota 3.5, porque foi bom (não ótimo), mas foi melhor que Veneno. Espero em breve ler Poder, último livro da Saga Encantadas.

Resenha: Poseidon de Anna Banks

Título: Poseidon
Série: O Legado de Syrena
Autora: Anna Banks
Editora: Novo Conceito
ISBN: 9788581633152
Ano: 2014
Páginas: 288
Sinopse: Galen é o príncipe de Syrena enviando à terra para encontrar uma garota que pode se comunicar com peixes. Emma está de férias na praia quando ela literalmente corre de encontro a Galen. Ambos sentem um conexão, mas vai demorar vários encontros incluindo um mortal com um tubarão para Galen se convencer dos dons de Emma. Agora se ele pelo menos pudesse convencer Emma de que ela segura consigo a chave para seu reino... Contado a partir de ambos dos pontos de vistas, Emma e Galen, aqui está uma história de peixe fora d'água, humor que intriga e ondas de romance.


Correr não é uma boa ideia para mim, para início de conversa. Correr com lágrimas embaçando minha visão, pior ainda. Mas correr com lágrimas borrando minha visão eusando chinelos é uma falta de respeito à vida humana, a começar pela minha. Então, não me surpreendo quando a porta do refeitório se abre na minha cara. Fico surpresa quando tudo fica preto. [Pág. 44] 
Emma é uma garota de 18 anos desastrada que acaba de perder a melhor amiga, mas quase ao mesmo tempo parece ter encontrado um cara totalmente lindo com quem sente uma conexão inexplicável. Aos poucos ela vai descobrindo que Galen está atrás dela com um propósito e ela terá que descobrir mais sobre seu passado/origem para encarar um novo mundo, onde Syrenas (sereias) existem e ela pode ser um deles. Ela terá que lidar com o fato de estar se apaixonando por Galen, que apesar de sentir o mesmo, tem outro caminho para ela em mente, que poderá separá-los para sempre.

Poseidon tem um toque de humor que gostei, vindo dos dois personagens principais, e isso tornou a história mais gostosa de ler. Em alguns diálogos, senti certa dificuldade de entender o que era falado e isso foi um ponto negativo da narração que me deixou confusa em certos momentos.

Foi um livro diferente porque ainda não havia lido nada voltado para sereias ou sua mitologia. Não conheço nada sobre o assunto, mas acredito que não há realmente “mitologia” na história, então não esperem isso ao ler. O livro tem romance, mistério, cenas engraçadas, humor e muito mais. 

Na mitologia dos Syrenas (como são chamados os seres do livro), eles são morenos, de cabelos pretos e olhos violeta, mas Emma é a exceção com sua pela branca demais e seus cabelos tão loiros que mais parecem brancos. Me diverti em vários momentos, alguns nos quais os Syrenas não conhecem os hábitos humanos ou os significados de algumas palavras. Foi interessante ver as diferenças criadas pela autora sobre o mundo e os hábitos dos Syrenas e humanos.
Eu me viro para olhar par ele. Meus sonhos com ele não chegam nem perto da realidade. Cílios longos e escuros, pele morena perfeita, mandíbula delineada como a de um modelo italiano, lábios que parecem... Pelo amor de Deus, menina, tenha um pouco de dignidade, porque ele acabou de tirar sarro da sua cara. [Pág. 63] 
Galen é um príncipe Syrena que acredita que Emma é a solução para os problemas de sua população e da união de duas “tribos”. Emma tem um ótimo senso de humor, é teimosa e me deu vários momentos de risadas. Galen é divertido e insistente. Rayna, irmã gêmea de Galen, é mimada, cheia de atitude e é o tipo de personagem que amados odiar ou odiamos amar rs. Toraf, melhor amigo de Galen, é o prometido a Rayna e faz de tudo pela amada. 
[...] Meu reino está ameaçado pela guerra, pela extinção ou pelas duas coisas, e a única maneira de resolver isso é abrindo mão da única coisa que quero. [Pág. 159] 
A narração é feita pelo ponto de vista dos dois personagens, só que através de Emma temos a narração em 1ª pessoa enquanto que com Galen a narração é em 3ª pessoa. A capa é simples e bonita e fico feliz porque a NC manteve a original. A diagramação está fofa, com alguns desenhos a cada capítulo e próximo da numeração da página em todas as folhas. Letras em bom tamanho, espaçamento da margem bom para leitura e narrativa rápida.

O Legado de Syrena até o momento tem dois livros lançados no exterior e o terceiro está previsto para maio desse ano lá fora. Além de dois contos que se passam antes do primeiro livro. Levei o livro como despretensioso e aproveitei a leitura. Acredito que irá agradar a muitos leitores e, portanto recomendo a leitura. Aguardo ansiosa pelo próximo.