Resenha: Alguém para Correr Comigo de David Grossman

Título: Alguém para correr comigo
Autor: David Grossman
Editora: Companhia das Letras
ISBN: 8535906606
Ano: 2005
Páginas: 440
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Sinopse: Premiado em Israel e na Europa por seus romances, o israelense David Grossman é conhecido por oferecer ao leitor --sobretudo o estrangeiro-- um panorama notável da vida moderna de Israel. O romance "Alguém Para Correr Comigo" (Companhia das Letras, 2005) relata uma aventura urbana pelo submundo de Jerusalém. Assaf é um garoto de 16 anos que gosta de futebol, fotografia e computador. Nas férias, ele arruma um emprego na prefeitura de Jerusalém. Sua vida é atingida por um turbilhão quando ele se junta a Tamar, garota de sua idade que tem um plano audacioso e urgente: libertar o irmão de uma organização clandestina que escraviza jovens artistas e os prende num albergue sinistro, abastecido com heroína e outras drogas. David Grossman combina elementos do realismo a um tratamento fabular inventivo. A narrativa cativa o leitor desde a primeira linha e segue num jogo de revelação e suspense até as últimas páginas. O resultado é um romance sofisticado e envolvente, para leitores jovens e adultos.

Existem livros que nos conquistam mesmo antes que possamos tê-los nas mãos. É como amor a primeira vista. De repente estamos fascinados pela sinopse, pela capa, pela premissa ou até pelo título. Aqueles que nos ganham nas primeiras páginas. Seja pela história ou simplesmente pela escrita. Aqueles livros que temos certeza que serão marcantes e que se não o forem positivamente, serão uma grande decepção. No entanto, também existem aqueles livros nos quais precisamos confiar. Aqueles que sentimos que têm algo guardado para nós, mesmo que nas primeiras páginas a leitura esteja arrastada e difícil. Geralmente, esses livros ou você ama ou odeia. “Alguém para correr comigo” é exatamente assim. Extremo e arriscado.

Assaf é um garoto normal de dezesseis anos, vivendo em Jerusalém e trabalhando na prefeitura da cidade. Sua incumbência da vez é encontrar o dono de um cachorro muito impaciente que foi encontrado perdido e cobrar-lhe uma multa. A técnica para se fazer isso é simples: Deixar o próprio cão conduzi-lo diretamente a seu dono. E assim Assaf passa a correr pela cidade atrás do animal.

Tamar tem uma missão. Salvar alguém que é muito importante para ela. E para isso terá de fazer grandes sacrifícios e abrir mão de princípios que jamais chegou a considerar.

Ambos são ligados por aquele cachorro, que afinal era uma cadela. Dinka. Um incansável e belo animal que leva Assaf em uma aventura alucinante rumo a descobertas e aventuras maravilhosas e perigosas. Um animal que o ensina a confiar e corre com ele, nos mais diversos sentidos que a palavra possa assumir.

A primeira coisa que me chamou atenção nesse livro foi o título. Um título tão amplo, mas que acabou por ter um significado grandioso na história, aberto a várias interpretações, todas perfeitas. Em seguida foi o fato de se passar em Israel, o que não é tão comum assim.

A história é narrada em terceira pessoa, alternando as cenas entre os protagonistas Assaf e Tamar. A princípio a leitura é arrastada e difícil, porque o autor não quer revelar muito, creio que para que os leitores se sintam como as próprias personagens. Isso foi bem pensado sim, mas poderia ter sido um erro e pode desagradar a uns ou outros.

Outro ponto que gostei bastante foi a forma com que o autor inseriu informações sobre Israel, Judaísmo e Palestina sem parecer forçado em momento algum. Isso também, já faz a leitura valer a pena.

Os protagonistas são encantadores, e não é nada difícil saber e sentir o que eles pensam e sentem. As personagens secundárias têm papel fundamental e foram muito bem construídas. Isso sem falar em Dinka, uma cadela fantástica. O sonho de qualquer amante de cães.

Alguém para correr comigo é um livro sobre lealdade. Sobre escolhas, amor e amizade. Como eu estava dizendo acima, esse não é um livro que qualquer um irá gostar. É simples assim, ou você será tocado por aquela sensação, aquele brilho que a história tem, ou apenas achará monótono. Espero, sinceramente, que seja a primeira opção.

Recomendo a leitura. Uma história tocante, triste, rica. Faltam-me as palavras. Essa é uma fábula de amor, nas duras ruas de Israel. O envolvimento com os personagens pode até ser lento, mas é uma grande recompensa ao final. A genialidade dessa trama está nas coisas pequenas. Um rapaz, uma moça e uma cadela. Por trás disso há tanto que é impossível definir. Encantador. Envolvente e fabuloso.

Uma corajosa viagem até as ruas de Israel. Uma realidade dura e por vezes cruel. A doçura da amizade, a generosidade e a cumplicidade que tanto procuramos. David Grossman soube equilibrar a medida perfeita de cada uma dessas coisas em um romance nada menos do que arrebatador.

*Descrição da capa: Nela tem o que parece ser uma grade, não sei de que material, madeira ou ferro, pois a capa é sem cor, cinzenta. Entre uma barra e outra da grade, tem o focinho de um cachorro e o título em amarelo no topo da capa.


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