Resenha: Reconstruindo Amelia de Kimberly McCreight

Título: Reconstruindo Amelia 
Autora: Kimberly McCreight
Editora: Arqueiro
Ano: 2014
Gênero: Romance
Páginas: 351
Sinopse: Kate Baron, uma bem-sucedida advo­gada, está no meio de uma das reuniões mais importantes de sua carreira quando recebe um telefonema. Sua filha, Amelia, foi suspensa por três dias do Grace Hall, o exclusivo colégio particular onde estuda. Como isso foi acontecer? O que sua sensata e inteligente filha de 15 anos poderia ter feito de errado para merecer a punição? Sua incredulidade, no entanto, vai aos poucos se transformando em pavor ao deparar, no caminho para o colégio, com um carro de bombeiros, uma dúzia de policiais e uma ambulância com as luzes desligadas e portas fechadas. Amelia está morta. Aparentemente incapaz de lidar com a suspensão, a garota subiu no telhado e se jogou. O atraso de Kate para chegar a Grace Hall foi tempo suficiente para o suicídio. Pelo menos essa é a versão do colégio e da polícia. Em choque, Kate tenta compreender por que Amelia decidiu pôr fim à própria vida. Por tantos anos, as duas sempre estiveram unidas para enfrentar qualquer problema. Por que aquele ato impulsivo agora? Suas convicções sobre a tragédia e a pró­pria filha estão prestes a mudar quan­do, pouco tempo depois do funeral, ela recebe uma mensagem de texto no celular: Amelia não pulou. Alternando a história de Kate com registros do blog, e-mails e posts no Fa­cebook da filha, Reconstruindo Amelia é um thriller empolgante que vai surpreender o leitor até a última página.

Hey leitores! Como estão? Eu estou na "correria" como sempre, fim de ano é uma loucura... Onde uma leitura de qualidade acontece em lugares inusitados, como: no banheiro (ohh sim, acreditem!), no trânsito (indo ou voltando de algum lugar), nas festinhas de família (se tiver um e-book ao alcance, no celular ou tablet). Sou a única louca? :D 

"Quanto da sua vida você conta para a sua mãe?"

Estava ansiosa por essa resenha. Reconstruindo Amelia foi aclamado como um dos melhores thrillers do ano. Assim que li a sinopse, quis imediatamente. Fiquei super curiosa, e confesso que me decepcionei um pouco. Mas até que Reconstruindo Amelia faz jus a todo bafafá que a rodeia... É uma história para todos os tipos de leitores. Eu, como mãe, posso dizer que teve um gostinho especial e ao mesmo tempo apavorante. Fiquei insanamente imaginando, eu com minha filha, ela já adolescente, vivendo dramas parecidos ( e ela só tem 7 anos).

As relações mães e filhos, no meu ponto de vista, são as melhores e mais loucas, é onde existe o amor no seu mais alto grau de altruísmo, são vidas entrelaçadas desde a concepção, e não importa quanto o tempo passe, nada pode alterar isso... 

A história...
"Você realmente sabe o que se passa na cabeça da sua filha?"

Kate Baron, uma jovem, bonita e "bem-sucedida" advogada, é mãe solteira, e tem uma raríssima ótima relação com sua filha Amélia de 15 anos (sim! Até onde eu me lembro, mães e filhas adolescentes terem uma boa relação é difícil, ainda mais ótima). O livro já inicia com uma bomba: Amélia está morta! Se suicidou. Pulou do terraço da escola. Kate, não consegue acreditar (e nem eu) como isso foi acontecer?! Como sua tão sensata, inteligente, amável e vivaz filha pôde tirar a própria vida?! 

Em meio ao seu choque e incompreensão dos acontecimentos, logo após a funeral, Kate recebe uma mensagem...

"Amélia não pulou." (Pág. 51)

Aí é que o livro realmente começa. A mãe de Amélia, começa uma busca desenfreada pra tentar desvendar esse mistério. Ela vasculha toda a vida de sua filha. Quarto, mochila... E é claro, onde temos o fluxo mais intenso de informações: nossa vida virtual. 

É quando Kate faz jus ao título do livro, ela vai tentar montar o quebra cabeça que era a vida de Amélia, através do Facebook, mensagens, e-mails, blogs... Ela descobre tudo o que gostaria e o que nunca gostaria de ter sabido. Se vê no meio de segredos, mentiras, verdades não ditas... E assim vai, reconstruindo Amélia. 

"Kate se forçou a se afastar do parapeito e ir até as estantes de livros. Correu a mão pelas lombadas desgastadas - Odisseia, O som e a fúria, Lolita e, claro, todos os livros de Virgínia Woolf. Ela - que cometera um suicídio extraordinário - era a autora favorita da filha. Kate não deixara escapar a coincidência. Mas tinha certeza de que Amélia consideraria que copiar a heroína literária seria um clichê patético." (Pág. 78) 

O que eu amei...
Eu amei a maneira com a Kimberly entrelaçou as vidas de mãe e filha, é impossível ser diferente, mas na história, isso foi elevado a um novo patamar. Ficou em um nível de "poderia ser comigo", tirando a americanidade surreal dos adolescentes gringos, (serio! Se eu não conhecesse pessoas que estudaram nos EUA, que me afirmaram ser essa loucura mesmo e até pior, eu não acreditaria), poderia ser comigo, com meus vizinhos... Com você!

Eu gostei do modo em que a narrativa foi feita, até as partes da Kate, que eram na terceira pessoa. Mas você Lili? Sim, eu, rs... Acreditem, apesar de não curtir muito esse tipo de narrativa, nesse livro não teria como ser de outro modo. No início foi até um pouco difícil de acompanhar, por causa da "passagem do tempo", as idas e voltas, tive que parar e reler algumas vezes para não me perder nas datas. O livro contém, capítulos narrados em primeira pessoa por Amélia, os capítulos da Kate são em terceira pessoa, e também contém capítulos com trechos das atualizações de status do facebook de Amélia, trechos de conversas por mensagem de texto de Amélia, e também capítulos com trechos do blog Graciosamente. Muita informação, certo?! Melhor assim! Num livro assim, quanto mais, melhor. ;)

Aproveitando que falei dos capítulos, é válido dizer que a diagramação está impecável. Fonte no tamanho adequado, páginas amarelas, e eu também amei a capa, achei tudo a ver com a história, as árvores secas, nas pontas na parte superior, fizeram a fotografia ficar com ar misterioso (eu amo a natureza, mas sou apaixonada por árvores secas), perfeito!

Gostei muito do diretor da Grace Hall (escola), nos poucos momentos em que ele apareceu, ele digamos, marcou presença.

"- E, Amélia... - ele me chamou. - Estou falando sério quanto a ter cuidado. Às vezes é difícil perceber a velocidade da corrente até você se ver no topo de uma cachoeira." (Pág.. 103)

O que me incomodou um pouco...
Engraçado o livro ser um thriller, drama, suspense... mas em muitos momentos eu não o senti assim, tive que parar a leitura algumas vezes por achar enfadonho. Fui pegar ritmo, do meio pro fim. Foi quando a curiosidade tomou conta e só o larguei quando a história acabou.

Eu, torci muito para gostar da protagonista. Mas não consegui ter uma conexão com ela. Não sei ao certo o que houve. Ela com certeza entrou pra minha lista de aborrecentes literárias. Não é que ela seja de todo ruim, mas incomodou o fato de ela não ter tido nenhuma justificativa plausível para muitas de suas atitudes, foi tipo: "Ah! Tô entediada." Desculpa, mas não rolou... 

A mãe, Kate, foi bem melhor por quase todo o livro, mas os últimos capítulos... Não engoli não. Como assim? - nem posso falar, qualquer detalhe é um big spoiler. - a Kimberly tem uma maneira incrível de contar histórias, mas eu corrigiria alguns detalhes desta. Por falar em final, foi aí que a decepção bateu um pouco, eu acho que ela tinha um leque de opções e optou pela menos incrível, se por um detalhe, ele tivesse sido um pouquinho diferente, esse livro com toda certeza, seria cinco estrelas, pois é muito bom, mas...

Melhor quote...
"Porém, a excursão me fez lembrar de que minha vida fora maior do que apenas um único momento. Uma menina. Um conjunto de palavras no papel. Que eu tivera outras experiências antes - boas e horríveis, engraçadas e tristes - e sobrevivera." (Pág. 340)





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